
Artigo de Jair Donato
A mudança do clima na Terra já é causa de migrações
A segunda parte do relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas - IPCC, publicado pela ONU, em abril deste ano, alerta sobre o aumento da temperatura da Terra, quanto à possibilidade de que os desastres climáticos iminentes deflagrem um êxodo mundial de proporções bíblicas.
Trata-se de gente que começa a perder a soberania e a própria cultura. Populações que abandonam os lugares de origem, por causa da fúria da natureza que invade impetuosamente as áreas costeiras, devido o aumento do nível dos oceanos.
Os primeiros refugiados ambientais da história da humanidade são os moradores de Tuvalu, um País insular que fica no sul do Oceano Pacífico, entre o Havaí e a Austrália. Os moradores desse País, formado por 09 pequenas ilhas planas, foram derrotados pelo mar, que continua subindo, e os governantes decidiram abandonar o local e retirar a população, pouco mais de 11 mil pessoas.
Segundo o jornalista japonês Tetsuo Jimpo, que acompanhou a situação de Tuvalu e publicou um livro sobre o assunto, a natureza foi implacável ao atingir as ilhas. Trata-se de um fenômeno raro no mundo. A água não invadiu de fora para dentro, como se vê em uma enchente. Ela jorra impetuosamente do solo, no interior da ilha, e inunda tudo, algo inimaginável antes.
O problema é que a Austrália se recusou abrigar os refugiados tuvalianos, em 2000. E a Nova Zelândia impôs condições morosas para aceita-los. E como será que vai ficar o planeta, que em 2050 terá 9 bilhões de pessoas, previsto pela Organização das Nações Unidas? O ecologista Norman Myers, da Universidade de Oxford, argumenta que o número de refugiados ambientais pode ultrapassar a marca dos 200 milhões nos próximos 50 anos, embora esses sejam dados questionados por outros ambientalistas, por serem muitas as variáveis existentes nas áreas atingidas.
Segundo a Cruz Vermelha Internacional, cerca de 25 milhões de pessoas já começaram a se transferir de lugares que sofrem problemas ambientais sérios. Esse número pode superar o atual total de refugiados de guerra no mundo. E os oceanos continuarão a subir porque as geleiras estão derretendo de forma assustadora. Isso é conseqüência do arrefecimento da Terra, provocado pela alta concentração de gases do efeito estufa que são lançados diariamente na atmosfera.
A próxima região que está à beira da extinção devido a elevação do nível do mar, é a República das Maldivas. Um País insular situado no extremo sul da Índia. Formado por 1196 ilhas que onde residem 311 mil habitantes.
O Brasil também terá regiões litorâneas afetadas pelo aumento do nível do atlântico. Com apenas 60 cm de altura, as duas primeiras cidades que terão as orlas afetadas serão Recife e Rio de Janeiro. Catástrofe maior ocorrerá se continuar a velocidade do degelo das calotas polares, sendo derretido os lençóis de gelo da Groenlândia, da Antártida e do Tibete. Por volta de 2100, no ritmo que está, os oceanos chegarão ao nível de 6 metros de altura. O mundo praticamente ficará acuado nos continentes, devido a elevação do nível da água, apontam os cientistas.
Trata-se de uma questão séria que nem mesmo os ambientalistas e especialistas em imigração de países chegam a um consenso. Mas, será que os países altamente poluidores como a Austrália e os EUA, ainda pobres em responsabilidade ambiental, podem omitir ajuda a tanta gente de áreas costeiras que vai perder tudo o que possui nos próximos anos? Essa é uma questão política, mas, acima de tudo, uma questão de consciência ética e moral.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista
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