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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

UMA NOVA PREOCUPAÇÃO MUNDIAL


Artigo de Jair Donato

A mudança do clima na Terra já é causa de migrações em massa. Essa é uma nova realidade deste século, que certamente os países ricos ainda não preferem discutir. Mas, terão de assumir responsabilidades por serem altamente poluidores do meio ambiente, fato que cria mais uma condição social, a dos refugiados ambientais.

A segunda parte do relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas - IPCC, publicado pela ONU, em abril deste ano, alerta sobre o aumento da temperatura da Terra, quanto à possibilidade de que os desastres climáticos iminentes deflagrem um êxodo mundial de proporções bíblicas.

Trata-se de gente que começa a perder a soberania e a própria cultura. Populações que abandonam os lugares de origem, por causa da fúria da natureza que invade impetuosamente as áreas costeiras, devido o aumento do nível dos oceanos.

Os primeiros refugiados ambientais da história da humanidade são os moradores de Tuvalu, um País insular que fica no sul do Oceano Pacífico, entre o Havaí e a Austrália. Os moradores desse País, formado por 09 pequenas ilhas planas, foram derrotados pelo mar, que continua subindo, e os governantes decidiram abandonar o local e retirar a população, pouco mais de 11 mil pessoas.

Segundo o jornalista japonês Tetsuo Jimpo, que acompanhou a situação de Tuvalu e publicou um livro sobre o assunto, a natureza foi implacável ao atingir as ilhas. Trata-se de um fenômeno raro no mundo. A água não invadiu de fora para dentro, como se vê em uma enchente. Ela jorra impetuosamente do solo, no interior da ilha, e inunda tudo, algo inimaginável antes.

O problema é que a Austrália se recusou abrigar os refugiados tuvalianos, em 2000. E a Nova Zelândia impôs condições morosas para aceita-los. E como será que vai ficar o planeta, que em 2050 terá 9 bilhões de pessoas, previsto pela Organização das Nações Unidas? O ecologista Norman Myers, da Universidade de Oxford, argumenta que o número de refugiados ambientais pode ultrapassar a marca dos 200 milhões nos próximos 50 anos, embora esses sejam dados questionados por outros ambientalistas, por serem muitas as variáveis existentes nas áreas atingidas.

Segundo a Cruz Vermelha Internacional, cerca de 25 milhões de pessoas já começaram a se transferir de lugares que sofrem problemas ambientais sérios. Esse número pode superar o atual total de refugiados de guerra no mundo. E os oceanos continuarão a subir porque as geleiras estão derretendo de forma assustadora. Isso é conseqüência do arrefecimento da Terra, provocado pela alta concentração de gases do efeito estufa que são lançados diariamente na atmosfera.

A próxima região que está à beira da extinção devido a elevação do nível do mar, é a República das Maldivas. Um País insular situado no extremo sul da Índia. Formado por 1196 ilhas que onde residem 311 mil habitantes.

O Brasil também terá regiões litorâneas afetadas pelo aumento do nível do atlântico. Com apenas 60 cm de altura, as duas primeiras cidades que terão as orlas afetadas serão Recife e Rio de Janeiro. Catástrofe maior ocorrerá se continuar a velocidade do degelo das calotas polares, sendo derretido os lençóis de gelo da Groenlândia, da Antártida e do Tibete. Por volta de 2100, no ritmo que está, os oceanos chegarão ao nível de 6 metros de altura. O mundo praticamente ficará acuado nos continentes, devido a elevação do nível da água, apontam os cientistas.

Trata-se de uma questão séria que nem mesmo os ambientalistas e especialistas em imigração de países chegam a um consenso. Mas, será que os países altamente poluidores como a Austrália e os EUA, ainda pobres em responsabilidade ambiental, podem omitir ajuda a tanta gente de áreas costeiras que vai perder tudo o que possui nos próximos anos? Essa é uma questão política, mas, acima de tudo, uma questão de consciência ética e moral.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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