
Artigo de Jair Donato
Enquanto uma série de cientistas, há mais de 30 anos tenta alertar o mundo sobre as freqüentes alterações do clima na Terra, devido a poluição decorrente das queimadas, dos desmatamentos, do uso exacerbado dos combustíveis fósseis e da destruição dos recursos naturais, outros acreditam ao contrário.
Para esse grupo cético e suspeito, essa é a história de como uma campanha política, encetada pela ONU, se transformou em cabides de empregos burocráticos. Não é aquecimento, é uma histeria climática, um grande negócio global, apregoa o grupo, se referindo ao tema como “a religião da farsa do aquecimento global”. Afirma que não é a ação do homem que altera o clima da Terra, e que nenhuma mudança nos últimos cem anos pode ser explicada só pelo aumento do CO2. O aquecimento global é apenas um frenesi que já ultrapassou a fronteira política, conclui.
Será mesmo uma farsa? São delírios ambientalistas que nos permitem ver os desastres ecológicos, inclusive no Brasil, no cerrado, no nordeste, no Pantanal e na Amazônia? Realmente, não me preocupo muito com previsões, pois podem ser mudadas. Mas, como justificar os fatos? Podemos ignorá-los? Será que devemos continuar no estágio da negação até partir para o desespero? Em quem ou em que acreditar?
Catástrofes como secas e enchentes incontroláveis, aumento de períodos de estiagem e do nível dos oceanos, degelo, malária e dengue além dos limites tropicais, perda de corais e extinção de espécies. E mais, furacões que rasgam partes do mundo em número e velocidades cada vez maiores, a exemplo do Katrina, que atingiu o Brasil e outros que se formarão daqui por diante. Desertificação, aumento do nível de gases poluentes na atmosfera, além de outros efeitos até então inimagináveis. Devo encarar tudo isso como uma farsa e continuar poluindo para ver como fica? Penso que cada um deve ter o discernimento necessário para tomar essa decisão.
Foi produzido um documentário, com um roteiro de tom irônico e subjetivo, tratando o aquecimento global como uma farsa, mas, sem dados científicos convincentes. Mostra a alteração do clima como uma história de censura e intimidação. Diz que o movimento ambientalista criou a ameaça do desastre climático como pretexto para impedir progressos industriais vitais nos países em desenvolvimento; uma declaração contra o sonho africano.
Não seria irresponsável afirmar que o aquecimento global simplesmente não é causado pelo homem e deixa-lo devastar os recursos naturais e utilizar energia suja ao bel prazer? Isso mais parece uma cisão da realidade de uma comunidade científica, bancada por interesses econômicos ameaçados de extinção.
É sempre bom ver os dois lados de uma situação, é necessário refletir e não defender uma única idéia de forma radical. Mas, em pleno século XXI, agir na presunção de que o homem é isento de responsabilidade sobre a alteração do clima do planeta e o alto índice de gases na atmosfera, pode ser muito perigoso. São décadas de poluição e destruição do meio ambiente, agravados pela era industrial, em favor do capitalismo. Agora, dar ouvido há um grupo que, não se sabe a que interesse atende, e diz que o mundo tem que usar o carvão, o petróleo e o gás à vontade, como forma correta de gerar riqueza, é querer subjugar a consciência da humanidade.
Esses “salvadores” que desejam libertar uma humanidade que caiu no ‘conto do aquecimento global’ lembram bem o perfil covarde, irresponsável e procrastinador de alguém que, quando erra, adere a culpa aos outros, por ser mais conveniente. Afinal, eles dizem que o aquecimento da Terra é conseqüência de explosões solares, ou do CO2 que é exalado pelos oceanos, e não da ação do homem, com mostra o IPCC, documento oficial da ONU.
Sem querer vender nenhuma idéia, penso que é saudável ponderar sobre o assunto. E saber onde está a distorção científica. Contudo, acredito na essência humana. Tenho fé de que o homem sempre pode mudar, em prol do bem coletivo, mesmo diante dos questionamentos, das dúvidas e de todas as ameaças possíveis.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
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