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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

AMAZÔNIA VERMELHA


Artigo de Jair Donato

A minoria que queima e desmata as florestas que ainda existem ao redor do mundo, a exemplo do bioma Amazônia, e ainda ameaça quem denuncia tais crimes, se acha no direito de continuar destruindo, como forma de delírio e prazer pelo lucro aparente, vulnerável e efêmero, justificado por um capitalismo barato e ególatra.

Em 2005, a ONU divulgou um estudo mostrando que os desastres naturais aumentaram em 60%, comparado à década de 1990. O aquecimento da Terra tem sido um fenômeno devastador. Na Índia, geólogos compararam o centro do planeta a um reator nuclear descontrolado, como forma de exemplificar os impactos derivados do superaquecimento em escala global.

O jornal Valor Econômico (02/2006) mostrou em números o que o Brasil deixa de receber por falta de fiscalização eficaz e proibição de queimadas e desmatamentos florestais, algo em torno de seis bilhões de dólares por ano. A floresta é um ‘filtro ecológico’ imprescindível para o gás carbônico (CO2) presente na atmosfera.

Segundo cálculos da consultoria BN Design Ambiental, a queima de 2.000.000 de hectares/ano na Amazônia resulta em torno de 400.000.000 toneladas de CO2 emitidas na atmosfera. Cada tonelada de CO2, ao custo de quinze dólares, chega a soma de seis bilhões de dólares. Esse é o valor da queima da Floresta Amazônica ao ano. Mas, a perda da biodiversidade é algo incalculável, quando comparada à qualidade de vida e a capacidade do homem viver bem na relação com o meio ambiente.

O governo britânico publicou no final do ano passado, na Convenção das Nações Unidas, sobre mudanças do clima, que a concentração atual de gás dióxido de carbono na atmosfera é de 430 ppm (partes por milhão), e continua aumentando. Se nada for feito nos próximos 50 anos, esse número pode dobrar e a vida na terra poderá ser comprometida para muitos povos.

Esse número assusta porque nos últimos 650 mil anos, o nível de CO2 na atmosfera nunca tinha ultrapassado a casa de 300 partes para cada milhão de partículas de ar. E as últimas décadas foram responsáveis por um aumento que em mais de meio milhão de anos não tinha ocorrido.

Se as emissões de CO2 ultrapassarem de 550 ppm, as mudanças climáticas comprometerão a economia mundial de forma incontrolável, cujos custos poderão passar de quinze trilhões de Reais. Milhões de pessoas sofrerão de fome, e a falta de água afetará outras centenas de milhões. Isso já acontece e o maior risco está no aumento dessa escala.

Segundo publicações do relatório Planeta Vivo, da Ong WWF, o planeta está em agonia. Já se produz 26% a mais do que ele consegue absorver. Se continuar no ritmo atual, essa perda de capacidade pode passar de 50%. As emissões de gases que provocam o efeito estufa podem crescer de 25% a 90% até 2030, são os últimos alertas feitos pela ONU, através do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

O hemisfério norte, local que recebe maior incidência solar, está esquentando duas vezes mais rápido do que o hemisfério Sul, mostram os climatólogos. E as geleiras estão derretendo muito rápido. As regiões litorâneas do planeta serão comprometidas seriamente até o fim do século. A nova preocupação mundial são os refugiados ambientais.

Enquanto cientistas fazem alerta sobre o aquecimento da Terra devido a grande quantidade de gases poluentes lançados na atmosfera diariamente, tendo os desmatamentos e as queimadas como fator de alto impacto, outros dizem que isso é uma intimidação política. Mas uma coisa é certa. A natureza está se agonizando devido a destruição provocada pelas atividades humanas. Nossas matas já não estão só verdes.

O ensaísta americano Mark Tuwain diz que “O que nos mete em encrenca não é o que não sabemos. É aquilo que sabemos com certeza que não é verdade”. Se tem algo que realmente pode desaparecer da face da terra antes do fim do Planeta, que ainda demora mais de um bilhão de anos, é a própria raça humana. Cuidar do planeta é uma questão de auto-estima, de amor próprio.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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