Total de visualizações de página

domingo, 7 de outubro de 2007

EXTINÇÃO DAS ESPÉCIES


Artigo de Jair Donato

O aquecimento global criará um novo clima na Floresta Amazônica até o final deste século, mais quente e com maior precipitação em época de chuvas. Esse é o resultado de um estudo feito por cientistas da Universidade americana de Wisconsin, liderado pelo geógrafo Jack Williams. Mudanças climáticas não é previsão de cientistas, é fato, embora inconveniente.

Conforme dados das três parciais do relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas - IPCC, publicados neste ano, pela ONU, além da região sul do Brasil entrar na rota dos furacões, devido as alterações do clima, o nordeste brasileiro será ainda mais afetado pela desertificação. Já são 1488 municípios assolados por esse fenômeno, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. E, o Centro-Oeste, infelizmente se tornará mais quente e parte da Amazônia poderá virar uma savana, por volta de 2080.

E o que mais pode acontecer se a Terra continuar esquentando? São muitos os estudos e medições climáticas que mostram que se não for reduzida a quantidade de emissão dos gases poluentes lançados diariamente na atmosfera, que engrossam a camada conhecida como efeito estufa, a situação ficará bem mais séria. Que o mundo não se arrisque pagar para ver essa catástrofe, embora parte dela já seja real.

A grande diversidade de corais, como os da Austrália, que são riquezas tão importantes para os oceanos, quanto as florestas para o solo e o ar, já está morrendo. E, até 2100, segundos especialistas, o arrefecimento da terra pode levar à extinção de três espécies, a cada grupo de dez. Devido o degelo das calotas polares, o urso está na lista para ser o primeiro animal a ser extinto. Por volta do fim deste século, provavelmente muitos animais não se adaptarão ao alto calor dos oceanos.

Como a temperatura da Terra está aumentando de forma antes prevista, as regiões dos trópicos e sub-trópicos, com grande biodiversidade, como é o caso da Floresta Amazônica e da Indonésia, serão as primeiras a sair do patamar de climas conhecidos hoje e a formar novos climas. Com o desaparecimento de climas, existe o risco de extinção de várias espécies, é o que afirma o geógrafo Williams. Novos tipos de clima podem oferecer novas oportunidades para algumas espécies, mas é difícil prever quais sofrerão e quais se beneficiarão com isso.

Ainda segundo o cientista, muitas das espécies em áreas de grande biodiversidade não conseguirão migrar para outras localidades. Ecologistas, biólogos e demais estudiosos do assunto estão surpresos com esses fatos. A velocidade é o fator preocupante. São muitas as espécies de plantas e de animais que estão mudando ou se alterando antes do previsto, nem todas se adaptarão.

Uma recente avaliação que contém 866 estudos científicos, publicada na Annual Review of Ecology Evolution and Systematics, mostra que cerca de 70 espécies de rãs, sendo a maioria de locais montanhosos e que não tinham para onde fugir do calor crescente, extinguiram-se por causa do aquecimento global. Esse foi um trabalho conduzido pela bióloga Camille Parmesan, que também informa que entre 100 e 200 outras espécies dependentes de temperaturas baixas para sobreviverem, como os pingüins, estão em grave perigo. "Finalmente, estamos vendo espécies se extinguir", diz a pesquisadora. "Agora temos a evidência. Está aqui. É real. Não é só uma intuição dos biólogos. É o que está acontecendo", conclui.

Em Mato Grosso, o aumento dos períodos de estiagem já começa alterar o ciclo de vida das espécies da região do Pantanal, afirmam os pesquisadores que desenvolvem estudos na região.

O maior perigo? É que a terra vai continuar aquecendo. É lamentável que tudo isso possa ocorrer em tão pouco tempo se o homem não fizer nada. E toda essa cadeia que poderá ser extinta depende muito da mudança do comportamento social, da política e do repensar dos valores cultuados por um mundo capitalista, com um modelo econômico ainda na forma do ganha-perde. O que será deste planeta que já não é tão azul?

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário: