
Artigo de Jair Donato
O documentário Uma Verdade Inconveniente, do ambientalista Al Gore, ganhador do Oscar 2007, mostra o que está acontecendo com a terra afim de alertar a população mundial. Qual é o vilão de tantas alterações? É o aquecimento global, causado pelo efeito estufa, que deixa de ser um fenômeno natural, por conseqüência do excesso do dióxido de carbono e do metano, dentre outros gases, lançados diariamente na atmosfera.
Ante a essa destruição, na maior parte do preço pago pelos produtos e alimentos que consumimos, está embutido apenas o valor de produção, sem considerar os demais valores da natureza. Se avaliar só o que estiver dentro do campo visual e observar apenas a atuação do mercado, sem levar em conta o capital natural, tudo se reduz a uma visão míope da ciência econômica antiga, onde para um ganhar, alguém tem que perder. No entanto, é impossível o homem continuar usando os recursos naturais sem ter conseqüências por isso.
O valor de um terreno, por exemplo, estipulado pelo referencial capitalista, considera apenas a localização geográfica e a vasão exploratória, mais do que a capacidade produtiva ou a natureza nele composta, assim como a necessidade de preservar ou conservar o ambiente em torno dele.
Esse é o valor dado sem considerar os recursos naturais. É uma noção de custo de mercado que desconsidera o valor do solo, do rio, das nascentes, da mata e dos demais componentes naturais. Mas, será possível quantificar a natureza? Que ponto de vista econômico poderia ser aplicado?
Pensando economicamente, o planeta talvez não tenha um preço exato. Mas, a revista americana Science publicou a tese do economista ambiental da universidade Maryland, dr. Robert Costanza, que mostra o resultado de uma análise de 300 projetos de exploração executados no mundo todo, com o intuito de quantificar o valor da natureza, se é que isso seja possível.
O economista converteu em valor econômico (dólar) diversas variáveis, dentre elas, o solo, os nutrientes, a manutenção de animais e vegetais silvestres, fibras e ervas. Considerou ainda as selvas, as montanhas, os oceanos e a beleza natural, que são dádivas ecológicas que não fazem parte do custo das atividades econômicas.
Em seguida, dr. Costanza comparou esse valor à soma dos produtos agrícolas produzidos na lavoura e da madeira extraída das árvores das florestas. Ou seja, o economista somou a totalidade das atividades da natureza em si e equiparou a soma ao valor dos produtos colhidos, ligada às variáveis consideradas nas duas partes.
Concluiu a tese que a proporção entre eficácia e o custo, em escala global, considerando o meio ambiente, foi no mínimo de “100 por 1”. Segundo os cálculos, 100 foi dado à opção de manter a natureza como ela é. E sendo explorada pelo homem, esse valor cai para uma centésima parte. Enfim, quanto mais há exploração, mais perda para a humanidade.
A tese apresentou o calculo de que o valor da natureza ainda não explorada no planeta é de 33 trilhões de dólares,
Mas, quanto seria o real prejuízo levando em conta as catástrofes provocadas pelo irreversível aquecimento da terra? Certamente seria incalculável. Talvez o homem pague isso com a extinção da própria raça. Não há cálculo preciso que mensure a perda da capacidade produtiva e de sobrevivência humana no planeta. É isso que está em risco.
É preciso que haja um repensar na economia. É necessário que o homem reconsidere os valores que estão fora do mercado. O mundo anseia por uma nova ciência econômica, que haja menos desperdício e mais conservação dos recursos naturais. Afinal, estamos diante de uma situação que não há outra saída, senão a mudança no comportamento do próprio homem. Pensar e agir pela via da eco-economia pode ser a solução.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista
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