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quarta-feira, 5 de março de 2014

PREDADOR DE POLVO SOFRE
Artigo de Jair Donato* 

Ao fazer uma analogia entre os seres vivos pelo processo da seleção natural, no que concerne ao comportamento humano, estabelece-se uma importante reflexão na história da evolução do homem. Segundo a teoria da seleção natural de Charles Darwin, para explicar a adaptação e especialização dos seres vivos, as mutações genéticas podem ser repassadas aos descendentes. Dessa forma, cada nova geração tem uma herança genética colocada à prova pelas condições ambientais em que vive; mecanismos comprovados ao longo do tempo através das evidências fósseis.

Logo, aqueles seres que permanecerem apenas com características originais, assim como variações inadequadas dentro do ponto de vista da adaptação, deverão desaparecer no decorrer da história, conforme os descendentes que as possuem vão sendo substituídos pelos parentes mais bem sucedidos.

Analogamente, o mesmo processo ocorre dentro das organizações, ambiente em que muitos profissionais se estagnam, deixando de promover a carreira profissional por não se adaptarem às constantes mudanças no mercado, tais como convivência com novas regras, novas tecnologias e o desenvolvimento de múltiplas competências, voltadas para resultados produtivos e alto nível de competitividade. A convivência entre as gerações X, Y e Z retratam essa analogia, porque as pessoas e o ambiente mudam, e cada vez mais velozmente.

No convício social e na família é semelhante. As pessoas quando se portam mais pela resistência em ceder e não se tornam empáticas, agem como se de tudo já soubessem, sem ter compreensão ao se relacionarem com as outras, mesmo que sejam familiares ou íntimas, facilmente se tornam aversivas e pouco aceitas. No processo de desenvolver pessoas, seja ao criar filhos ou desenvolver equipes, se quem tiver à frente valer-se apenas de regras antigas, não maleáveis, não respeitar as mudanças culturais e as novas maneiras de comportamento, a rejeição por esse tipo de liderança se tornará cada vez maior, até o afastamento ou abolição dela.

A história da seleção natural dos seres vivos mostra o que ocorre com quem se porta como inflexível. Darwim elucidou que não é a mais forte nem a maior, ou a mais inteligente das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças, ao meio. As minúsculas baratas, por exemplo, se estão em toda parte é porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de anos. E os brutamontes dos dinossauros, onde estão? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e enormes, não é mesmo? Hoje, sabemos que existiram devido aos fósseis seculares.

Todas as espécies passam pelo processo de adaptação ao longo do tempo para garantir a sobrevivência no meio ambiente, inclusive o homem. Mas, por que ele resiste tanto às mudanças? Dentre os vários fatores que podem contribuir para esse fato, destaca-se o comportamento que possui e, cuja limitação se dá muitas vezes por variáveis subjetivas. Geralmente, baseadas em crenças míopes, paradigmas retrógados, as pessoas se recusam em investir mais em si mesmas, não desenvolvem novas habilidades, tampouco valorizam o conhecimento em decorrência das necessidades externas, que são as demandas do mundo natural, por vezes insano.

O polvo é um molusco exemplo de adaptabilidade. Ele vive no ambiente marinho e possui várias formas de se defender dos predadores. Quando percebe a presença do inimigo, libera substâncias escuras para despistá-lo, enquanto muda de local. Se o predador segura-o por um dos oito tentáculos que possui, ele foge e deixa o tentáculo para trás, em seguida nasce outro; caso resolvido. Ele ainda camufla, pois possui pigmentos na pele que o faz ficar da cor do coral, da areia ou da pedra em que se encontra na hora que o inimigo surge. Há momentos e que o predador está bem próximo e ali tem um cardume, ele fecha os tentáculos, assume a forma de peixe e vai embora junto com a mesma cor dos transeuntes. Há ainda o polvo-véu, que libera uma membrana que aumenta o próprio tamanho, como se fosse enorme, isso provoca medo no predador que logo foge. Contudo, ele não perde a característica de polvo, apenas garante a sobrevivência através do processo de adaptação.

E você, tem sido um profissional polvo ou jurássico? Pessoas inflexíveis sofrem, adoecem e com o tempo extinguem a si mesmas, seja do mercado de trabalho ou do convívio social, e assim permanecem até o fim dos dias. Contudo, ser flexível e adaptar-se às mudanças não significa descaracterizar-se, não implica em perda de personalidade, é preciso saber mudar. Talvez as melhores lições que os líderes nas empresas e os profissionais que administram carreiras possam tirar da constatação darwinista, sejam a flexibilidade e adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas definições, basta entender que o contrário delas pode ser a extinção. Mas, o ser humano resiliente adapta-se em qualquer que seja o ambiente. No entanto, esse é o assunto do próximo artigo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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