PREDADOR DE POLVO SOFRE
Artigo de Jair Donato*
Ao
fazer uma analogia entre os seres vivos pelo processo da seleção natural, no
que concerne ao comportamento humano, estabelece-se uma importante reflexão na
história da evolução do homem. Segundo a teoria da seleção natural de Charles Darwin, para explicar a adaptação e especialização dos seres vivos,
as mutações genéticas podem ser repassadas aos
descendentes. Dessa forma, cada nova geração tem uma herança genética colocada
à prova pelas condições ambientais em que vive; mecanismos comprovados ao
longo do tempo através das evidências fósseis.
Logo,
aqueles seres que permanecerem apenas com características originais, assim como
variações inadequadas dentro do ponto de vista da adaptação, deverão
desaparecer no decorrer da história, conforme os descendentes que as possuem vão
sendo substituídos pelos parentes mais bem sucedidos.
Analogamente, o mesmo processo ocorre
dentro das organizações, ambiente em que muitos profissionais se estagnam, deixando
de promover a carreira profissional por não se adaptarem às constantes mudanças
no mercado, tais como convivência com novas regras, novas tecnologias e o desenvolvimento
de múltiplas competências, voltadas para resultados produtivos e alto nível de
competitividade. A convivência entre as gerações X, Y e Z retratam essa
analogia, porque as pessoas e o ambiente mudam, e cada vez mais velozmente.
No convício social e na família é
semelhante. As pessoas quando se portam mais pela resistência em ceder e não se
tornam empáticas, agem como se de tudo já soubessem, sem ter compreensão ao se
relacionarem com as outras, mesmo que sejam familiares ou íntimas, facilmente
se tornam aversivas e pouco aceitas. No processo de desenvolver pessoas, seja
ao criar filhos ou desenvolver equipes, se quem tiver à frente valer-se apenas
de regras antigas, não maleáveis, não respeitar as mudanças culturais e as
novas maneiras de comportamento, a rejeição por esse tipo de liderança se tornará
cada vez maior, até o afastamento ou abolição dela.
A
história da seleção natural dos seres vivos mostra o que ocorre com quem se porta
como inflexível. Darwim elucidou que
não é a mais forte nem a maior, ou a mais inteligente
das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às
mudanças, ao meio. As minúsculas baratas, por exemplo, se estão em toda parte é
porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de
anos. E os brutamontes dos dinossauros, onde estão? Por que sumiram todos?
Afinal, eram tão fortes e enormes, não é mesmo? Hoje, sabemos que existiram
devido aos fósseis seculares.
Todas
as espécies passam pelo processo de adaptação ao longo do tempo para garantir a
sobrevivência no meio ambiente, inclusive o homem. Mas,
por que ele resiste tanto às mudanças? Dentre os vários fatores que podem
contribuir para esse fato, destaca-se o comportamento que possui e, cuja
limitação se dá muitas vezes por variáveis subjetivas. Geralmente, baseadas em
crenças míopes, paradigmas retrógados, as pessoas se recusam em investir mais
em si mesmas, não desenvolvem novas habilidades, tampouco valorizam o
conhecimento em decorrência das necessidades externas, que são as demandas do
mundo natural, por vezes insano.
O
polvo é um molusco exemplo de adaptabilidade. Ele vive no ambiente marinho e possui
várias formas de se defender dos predadores. Quando percebe a presença do
inimigo, libera substâncias escuras para despistá-lo, enquanto muda de local.
Se o predador segura-o por um dos oito tentáculos que possui, ele foge e deixa
o tentáculo para trás, em seguida nasce outro; caso resolvido. Ele ainda
camufla, pois possui pigmentos na pele que o faz ficar da cor do coral, da
areia ou da pedra em que se encontra na hora que o inimigo surge. Há momentos e
que o predador está bem próximo e ali tem um cardume, ele fecha os tentáculos,
assume a forma de peixe e vai embora junto com a mesma cor dos transeuntes. Há
ainda o polvo-véu, que libera uma membrana que aumenta o próprio tamanho, como
se fosse enorme, isso provoca medo no predador que logo foge. Contudo, ele não
perde a característica de polvo, apenas garante a sobrevivência através do
processo de adaptação.
E você, tem sido um profissional
polvo ou jurássico? Pessoas inflexíveis sofrem, adoecem e com o tempo extinguem
a si mesmas, seja do mercado de trabalho ou do convívio social, e assim
permanecem até o fim dos dias. Contudo, ser flexível e adaptar-se às mudanças
não significa descaracterizar-se, não implica em perda de personalidade, é
preciso saber mudar. Talvez as melhores lições que os
líderes nas empresas e os profissionais que administram carreiras possam tirar
da constatação darwinista, sejam a flexibilidade e adaptabilidade. Para quem
ainda não sabe o significado destas definições, basta entender que o contrário
delas pode ser a extinção. Mas, o ser humano resiliente adapta-se em
qualquer que seja o ambiente. No entanto, esse é o assunto do próximo artigo.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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