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sexta-feira, 7 de março de 2014

Olhe para cima
Artigo de Jair Donato*

Qual sua visão sobre sua carreira profissional? Pois há quem vive como se estivesse em baixo da árvore e há os que conseguem ter a visão da floresta inteira. Você é o tipo de profissional que valoriza o contexto ou tem visão em curto prazo, conforma-se com o imediatismo, acostuma-se com o status atual?

Diz-se que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado e inteiramente aberto em cima, o pássaro, apesar da habilidade que possui para voar, torna-se um prisioneiro. Pois o falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Mas, sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e ali ele permanecerá como prisioneiro pelo tempo que lá ficar, na pequena cadeia sem teto.

E o morcego, que é notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso complemente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar. Já um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente, de tanto se atirar contra o fundo do vidro.

Analogamente, no mercado de trabalho também existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão. Em muitas situações, não são as oportunidades que não existem, e sim a maneira como o profissional se posiciona, que não permitem que decole na própria carreira. Ainda há quem fica preso repetindo por décadas o que aprendeu em um ano, sem desenvolver novas competências. Até se sente magoado quando a empresa não concede a ele uma promoção, e sim a outro que ingressou na organização há pouco tempo.

Tem aqueles que se forem transferidos para  ambientes diferentes, ou que pela necessidade de mudança se veem com novas responsabilidades, ficam confusos e não sabem o que fazer. Por falta de flexibilidade não se adaptam facilmente e perdem o equilíbrio. São ágeis somente naquilo que fazem rotineiramente. A mudança para esse tipo de profissional é apenas um processo doloroso e a dificuldade de ter perspectivas diferentes advém da zona de conforto que é reforçada pela insistência em não querer mudar.

Por fim existem os profissionais que se atiram de maneira obstinada contra os obstáculos, sem perceberem que a saída poderá estar logo acima se agirem com visão ampla. No entanto, sequer procuram analisar a situação por outro ângulo. Isso se dá na maioria dos casos por falta de uma postura de imparcialidade sobre os fatos, sem considerar o contexto da situação, quaisquer que sejam elas. Perdem energia, desfocam a capacidade produtiva por insistirem em ficar no mesmo lugar, com os mesmos conhecimentos, sem olhar para cima, para frente, ou para onde houver novas possibilidades.

Olhar para cima é crescer, procurar alternativas, adaptar-se, buscar outras maneiras de se destacar na vida profissional. O perfil de gente empreendedora mostra o que é agir diferente do falcão, do morcego e do zangão, quando do nada ou de uma crise, exterioriza-se o melhor de cada profissional ao empreender uma ideia que transforma vidas e agrega valor ao mercado. Então, se você está como um falcão, mesmo que o espaço concedido a você seja pequeno e suas habilidades são poucas, invista mais em você e amplie seus horizontes. Se atua como morcego, perceba as adversidades como variáveis pedagógicas, aprenda novas competências e alce voo. Ou se percebe em si o comportamento no estilo zangão, não desperdice energia reclamando e querendo que as coisas voltem a ser como era, evite dá “murro em ponta de faca”. Não viva cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima. Descubra seu caminho por outra perspectiva, outros ângulos, olhares múltiplos, foque o contexto.

Mesmo que esteja em baixo da árvore, vislumbre o potencial da floresta e localize onde você está no contexto organizacional. Visualizar a amplitude da floresta é uma questão de atitude. No mercado de trabalho, mediante as mudanças constantes, permanece na ativa quem sabe onde está e até onde pode chegar. Atinge resultados produtivos que se localiza e muda a rota sempre que necessário. Tem sucesso quem se adapta, aquele que aprende de novo sem apego aos hábitos do passado.

Afinal, insano é o indivíduo que deseja resultados diferentes e continua a fazer as mesmas coisas que sempre fez. Olhe de novo, veja por cima, situe-se e descubra o que pode fazer para não se tornar um prisioneiro de si mesmo, nem reclamar das circunstâncias.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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