QUAL SEU GRAU DE RESILIÊNCIA?
Artigo de Jair Donato*
Ao
partir do princípio de que o ser humano pode desenvolver a competência da
maleabilidade e da flexibilidade para se adaptar ao meio em que vive, quero
abordar sobre um tema cuja necessidade está meio empresarial e nas relações
interpessoais e que merece reflexão por parte daqueles que vivem sob pressão. E
quem não vive? Trata-se da resiliência. Ou seja, da capacidade que o indivíduo
possui de viver em ambiente insano e fazer dele um espaço para crescimento
pessoal e profissional, sem descompensar-se. Fundamentalmente, é viver no “inferno”
e manter-se tranquilo, com serenidade suficiente para não perder o equilíbrio
psicológico ou emocional.
Resiliência
é um termo que vem da física e se refere ao objeto que, mesmo após ser
submetido ao choque, tem o poder de retornar ao estado natural e se recuperar.
São exemplos uma mola ou uma vara de salto, que após forte pressão e
envergaduras, se recuperam sem lesão. Contudo, este é um tema que perpassou a física, de onde se originou e possui abordagens
por outras áreas da ciência. A biologia defende o ponto de vista genético, ao
afirmar que cada ser humano é dotado de um potencial, sendo uns mais resistentes
que outros. A psicologia enfatiza as relações familiares, sobretudo na
infância, período em que se sedimenta a capacidade de suportar determinadas
crises e de superá-las. A sociologia considera que a as questões culturais, o
ambiente e as tradições são influências que constroem a capacidade resiliente no
individuo que o faz sobrepor às adversidades.
Para os especialistas a resiliência é o que o senso
comum denomina como “dar a volta por cima”. O comportamento resiliente molda-se
a cada situação e obstáculo, frente as necessidades de mudança e tudo continua
normal, sem máculas. Uma pessoa resiliente pode sentir dor, mas não traduz isso
como sofrimento. Ela se abate, mas não facilmente, não culpa os demais por
aquilo que não deu certo, tampouco perde o entusiasmo perante a vida. Age
sempre com ética e coragem, com bom humor e sabe tirar lições positivas de tudo
que ocorre ao redor dela.
Nas
relações do mundo corporativo este conceito é considerável, pois se trata de como
o comportamento humano se dá mediante determinados estímulos. Qual o impacto na
vida de uma pessoa que não consegue ser resiliente ante as pressões do
dia-a-dia seja nos negócios, frente ao mercado competitivo, ou mesmo na relação
familiar? O contrário de ser resiliente talvez possa se traduzir em diagnósticos
de doenças como câncer, tumores, sintomas gástricos, alto índice de estresse, sendo
reflexo de mágoas, frustrações e ressentimentos, resultados da somatização do
que acontece alheio às expectativas pessoais e profissionais de cada indivíduo.
Pessoas
com pouca resiliência geralmente possuem baixo índice de inteligência
emocional. Estouram fácil, em face de mínima hostilidade no ambiente de
trabalho. Perdem oportunidades de se colocarem onde realmente deveriam estar.
No entanto, ser resiliente é mais que controlar as emoções. Trata-se da
capacidade de resignificar fatos, processos, ambientes e atitudes. É mais do
que apenas aceitar, ser tolerante ou condescendente. É compreender e viver em
harmonia. Existem fatores determinantes para o sucesso de quem vive nas
organizações. Dentre eles, a pró-atividade, a eficácia e a flexibilidade ante
as mudanças. E mais, comunicação, adaptabilidade, criatividade, capacidade de
negociar, gerir processos e entender de gente. Desenvolver essas habilidades e
competências é um dos caminhos da excelência. E, se não houver capacidade de
recuperar-se e manter o poder de solução, o ser humano não resiste a tudo isso.
Resiliência pode ser uma competência adquirida.
Pessoas
não resilientes são como portas enferrujadas, que rangem e não mudam. O
pensamento unilateral e a resistência às mudanças não fazem parte das pessoas
que sobressaem de situações difíceis na vida, sem macularem a si ou aos demais.
A capacidade de resistir às adversidades, desde tempos remotos, foi o
diferencial dos grandes líderes e estadistas que o mundo já teve. Fatores
sociais e crises nos negócios podem ser vistos sob uma ótica mais rarefeita
pelas pessoas que possuem uma visão de resiliência. Geralmente se tornam
mestres na arte de lidar com contratempos.
Vivemos
em um contexto de fortes prismas sobre a espiritualidade. A resiliência talvez
seja o fator primordial para compreensão acerca de uma convivência holística
entre o ser humano, o meio ambiente e a biodiversidade que o cerca. Afinal, nem
tudo é só pressão. Vivemos numa realidade que pode ser insana e agitada. Mas é
também o mundo dos desafios e das conquistas para quem nele vive e enfrenta as
dificuldades. E pressão não é sinônimo de sofrimento. Caso fosse, o que seria
de nós sem a lei da gravidade? O resiliente, esse ser elástico e flexível, sabe
disso. E você, enxerga a si mesmo como um exemplo de resiliência? Continua no
próximo artigo.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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