Total de visualizações de página

quinta-feira, 6 de março de 2014

QUAL SEU GRAU DE RESILIÊNCIA?
Artigo de Jair Donato*

Ao partir do princípio de que o ser humano pode desenvolver a competência da maleabilidade e da flexibilidade para se adaptar ao meio em que vive, quero abordar sobre um tema cuja necessidade está meio empresarial e nas relações interpessoais e que merece reflexão por parte daqueles que vivem sob pressão. E quem não vive? Trata-se da resiliência. Ou seja, da capacidade que o indivíduo possui de viver em ambiente insano e fazer dele um espaço para crescimento pessoal e profissional, sem descompensar-se. Fundamentalmente, é viver no “inferno” e manter-se tranquilo, com serenidade suficiente para não perder o equilíbrio psicológico ou emocional.

Resiliência é um termo que vem da física e se refere ao objeto que, mesmo após ser submetido ao choque, tem o poder de retornar ao estado natural e se recuperar. São exemplos uma mola ou uma vara de salto, que após forte pressão e envergaduras, se recuperam sem lesão. Contudo, este é um tema que perpassou a física, de onde se originou e possui abordagens por outras áreas da ciência. A biologia defende o ponto de vista genético, ao afirmar que cada ser humano é dotado de um potencial, sendo uns mais resistentes que outros. A psicologia enfatiza as relações familiares, sobretudo na infância, período em que se sedimenta a capacidade de suportar determinadas crises e de superá-las. A sociologia considera que a as questões culturais, o ambiente e as tradições são influências que constroem a capacidade resiliente no individuo que o faz sobrepor às adversidades.

Para os especialistas a resiliência é o que o senso comum denomina como “dar a volta por cima”. O comportamento resiliente molda-se a cada situação e obstáculo, frente as necessidades de mudança e tudo continua normal, sem máculas. Uma pessoa resiliente pode sentir dor, mas não traduz isso como sofrimento. Ela se abate, mas não facilmente, não culpa os demais por aquilo que não deu certo, tampouco perde o entusiasmo perante a vida. Age sempre com ética e coragem, com bom humor e sabe tirar lições positivas de tudo que ocorre ao redor dela.

Nas relações do mundo corporativo este conceito é considerável, pois se trata de como o comportamento humano se dá mediante determinados estímulos. Qual o impacto na vida de uma pessoa que não consegue ser resiliente ante as pressões do dia-a-dia seja nos negócios, frente ao mercado competitivo, ou mesmo na relação familiar? O contrário de ser resiliente talvez possa se traduzir em diagnósticos de doenças como câncer, tumores, sintomas gástricos, alto índice de estresse, sendo reflexo de mágoas, frustrações e ressentimentos, resultados da somatização do que acontece alheio às expectativas pessoais e profissionais de cada indivíduo.

Pessoas com pouca resiliência geralmente possuem baixo índice de inteligência emocional. Estouram fácil, em face de mínima hostilidade no ambiente de trabalho. Perdem oportunidades de se colocarem onde realmente deveriam estar. No entanto, ser resiliente é mais que controlar as emoções. Trata-se da capacidade de resignificar fatos, processos, ambientes e atitudes. É mais do que apenas aceitar, ser tolerante ou condescendente. É compreender e viver em harmonia. Existem fatores determinantes para o sucesso de quem vive nas organizações. Dentre eles, a pró-atividade, a eficácia e a flexibilidade ante as mudanças. E mais, comunicação, adaptabilidade, criatividade, capacidade de negociar, gerir processos e entender de gente. Desenvolver essas habilidades e competências é um dos caminhos da excelência. E, se não houver capacidade de recuperar-se e manter o poder de solução, o ser humano não resiste a tudo isso. Resiliência pode ser uma competência adquirida.

Pessoas não resilientes são como portas enferrujadas, que rangem e não mudam. O pensamento unilateral e a resistência às mudanças não fazem parte das pessoas que sobressaem de situações difíceis na vida, sem macularem a si ou aos demais. A capacidade de resistir às adversidades, desde tempos remotos, foi o diferencial dos grandes líderes e estadistas que o mundo já teve. Fatores sociais e crises nos negócios podem ser vistos sob uma ótica mais rarefeita pelas pessoas que possuem uma visão de resiliência. Geralmente se tornam mestres na arte de lidar com contratempos.

Vivemos em um contexto de fortes prismas sobre a espiritualidade. A resiliência talvez seja o fator primordial para compreensão acerca de uma convivência holística entre o ser humano, o meio ambiente e a biodiversidade que o cerca. Afinal, nem tudo é só pressão. Vivemos numa realidade que pode ser insana e agitada. Mas é também o mundo dos desafios e das conquistas para quem nele vive e enfrenta as dificuldades. E pressão não é sinônimo de sofrimento. Caso fosse, o que seria de nós sem a lei da gravidade? O resiliente, esse ser elástico e flexível, sabe disso. E você, enxerga a si mesmo como um exemplo de resiliência? Continua no próximo artigo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

Nenhum comentário: