TODO
MUNDO É INCOMPETENTE, INCLUSIVE VOCÊ
Artigo de Jair Donato*
Calma,
este título não é uma visão pessimista, nem uma ofensa. É o nome do livro de Laurence Peter e Raymond Hull, que investigaram sobre aspectos que funcionam tão
mal, no sentido prático, a começar pelas coisas que enguiçam, pifam, desabam,
saem do contrário, além do mau atendimento nas empresas e no comportamento de
muitos profissionais.
Quero
abordar sobre o conceito de competência e incompetência que por vezes é confundido
com capacidade e incapacidade, compreensão essa que pode se tornar a causa do
insucesso e da mediocridade do ser humano, na vida pessoal e profissional.
No
mundo acadêmico o termo incompetência é atualmente denominado de não
competência, o que dá no mesmo. Todo mundo ao mesmo tempo em que é competente
ao fazer algo, pode ser incompetente ao executar uma outra ação. Isso é
natural, tanto no campo do saber como
no fazer. Assim como há especialistas
na área de exatas, existem outros na área de humanas. Até mesmo a dona de casa,
pode ser melhor ao cuidar da educação dos filhos do que cozinhar. Um exímio
jogador de futebol pode ser incompetente em desenhar, ou em redigir um bom
texto.
O que
é necessário saber é que incompetência é apenas uma competência não trabalhada.
Ou seja, uma habilidade que o ser humano possui e que não foi treinada. O ex-jogador
Oscar Schmidt, apelidado como “mão santa”, não
se tornou competente ao marcar um gol na mesma intensidade em que foi
competente para fazer incontáveis cestas no basquete. No entanto, ele sempre
teve capacidade de jogar futebol. Seria apenas uma questão de ter treinado até
chegar a excelência. O mesmo pode-se dizer dos fenômenos do futebol em relação
ao basquete.
Há
pessoas que se justificam, como autodefesa, por não gostarem de algo como sendo
incapazes de realizar aquilo. À luz da psicologia moderna, todo ser humano é
capaz, à exceção de anomalias mentais ou debilitações físicas, que apenas o
limita em algumas situações. O maior índice que existe é o de incompetência, do
despreparo, o que pode ser desenvolvido a partir do momento que houver
disposição para mudar ou desenvolver até chegar a excelência. Então, a grande confusão é entender uma não
competência como incapacidade de realização. Essa crença, ou mesmo, falta de
percepção, é fator limitante para o ser humano.
Existem
empresas incompetentes, que após esforços estratégicos se tornam competentes no
que fazem, criam referências e se destacam. Assim como profissionais que em
início de carreira são rejeitados, mas, tomam consciência de que são capazes, desenvolvem
competências específicas, trabalham as imperfeições e se tornam gestores disputados
pelo mercado.
Pergunte
a si mesmo: No que eu sou bom? O que eu não sei fazer? Por uma questão de vaidade
pessoal, existe profissional sem a humildade suficiente para declarar que é
incompetente em determinada área, e se torna medíocre por não se aprimorar. O
primeiro passo para uma pessoa se tornar boa no que faz é reconhecer as próprias
falhas, as incompetências. Assim, fica claro e fácil para treinar e investir em
si e aumentar o índice de competência. O mercado de trabalho atual privilegia
as pessoas que tem o maior número de competências desenvolvidas, não apenas as
técnicas, mas as comportamentais são essenciais.
A competência para negociar
bem, gerar bons relacionamentos, criar oportunidades em momentos de crise,
administrar conflitos, emoções, pessoas e processos. Esse é o executivo que os
caçadores de talentos procuram à luz de lanterna. Segundo a UNESCO, no
relatório apresentado por Jacques Delors, sobre educação pluridimensional no
século XXI, são quatro os pilares da competência que o ser autônomo, solidário
e competente deverá desenvolver. A Competência Pessoal (aprender a ser); a Competência
Social (aprender a conviver); a Competência Produtiva (aprender a fazer); e a
Competência Cognitiva (aprender a aprender).
Lembra
qual foi a maior incompetência de Ayrton Sena, no início da carreira? Era a
corrida na pista molhada. A chuva era o inimigo dele nas corridas de kart que o
levou ao primeiro fracasso. No entanto, sabendo que era capaz, ele fez daquele
obstáculo, por meio do treino constante, uma das maiores competências que
marcou vitórias inesquecíveis na Fórmula I. É o reconhecimento das nossas
incompetências que nos faz crescer até chegarmos a competência. Dessa forma, é a
somatória das competências que permite a evolução do mundo e da sociedade.
Lembre-se
disso na próxima vez que você pensar que é incapaz, verá que isso pode ser
apenas um equívoco, uma competência não desenvolvida, talvez por falta de ação.
Afinal, dizem que na vida, quem não sabe escrever sessenta é sempre obrigado a preencher dois
cheques de trinta.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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