O profissional futurista
Artigo
de Jair Donato*
Este
artigo não se trata do futuro das pessoas pelo prisma do misticismo, do sexto
sentido ou de qualquer outra forma de previsão através do sobrenatural.
Trata-se do novo perfil profissional que surge nas empresas, denominado de futurista.
No
mercado em que personagem principal, o consumidor, se revela cada vez mais
mutante, a bola de cristal da vez é antecipar-se às objeções e às tendências.
Cabe ao profissional futurista, em face das expectativas do cliente, prever quais
as tendências e orientar as empresas para criação e exposição de novos produtos
que sejam práticos, solucionáveis e econômicos, pois são esses os principais
desejos do consumidor.
Não
estamos mais na época de perguntar ao cliente o que ele deseja, pois nem sempre
ele sabe especificamente o que quer. O que o consumidor possui são necessidades
e expectativas, o que nem sempre é de forma objetiva. Antecipar-se a isso é o
grande desafio por parte de quem cria, disponibiliza produtos e serviços. O
futurista é um consultor cuja função não se limita em pesquisar o mercado para
saber o que é necessário oferecer. A finalidade é antecipar-se e deixar o
cliente extasiado. Prever e orientar para inovar são as principais habilidades
tidas como missão desse profissional.
A inovação
deve ser em produtos, serviços, processos, modelos de negócios, nas práticas
gerenciais e na gestão de pessoas, cujo foco deverá ser sempre o cliente,
principal stakeholder, ou seja, a parte mais interessada da empresa. Hoje, é o
conceito de Marketing 3.0, uma nova visão do marketing mais holística e
agregadora de valor que orienta o profissional futurista.
Esta
é uma era em que a fidelidade é um termo cada vez mais difícil de ser
conquistado pelas empresas. Assim como na vida afetiva dos adolescentes, o
cliente, antes de encarar um compromisso sério, se tornar fiel, ele prefere
“ficar”. O cliente “ficante” é aquele que até se sente atraído momentaneamente
pela empresa. Mas, no dia seguinte, pode nem lembrar mais quem o atendeu,
tampouco a localização.
Ante
a pluralidade de opções que existe no mercado, o cliente não pensa duas vezes
em trocar um fornecedor pelo concorrente. Fidelização e previsibilidade são
realidades cada vez mais distantes no comércio; comportamentos típicos da época
da venda na caderneta. Retenção é o máximo que muitas empresas conseguem ter,
por meio de contratos, que muitas vezes só constrangem os consumidores. Porém, possuir
um rol de clientes fieis é agregar valor à marca.
Para
o filósofo e futurista austríaco, Peter
Drucker, considerado pai da administração moderna, “o desafio mais
importante de nossos dias é o encerramento de uma época de continuidade - época
em que cada passo fazia prever o passo seguinte”. Conforme Drucker, o maior advento atual é a era de
descontinuidade, onde o imprevisível é o pão de cada dia para os homens, para
as organizações e para a humanidade.
Vivemos
literalmente no mundo do “salve-se quem prevê”. Pessoas e empresas de
comportamento reativo ou passivo não sobreviverão ao mundo de mudanças
constantes. Hoje, o perfil profissional mais valorizado na área de atendimento é
o “clientável”. É Isso mesmo. É mais que a habilidade de ser empregável ou empreendedor.
Sabe por quê? É que o poder não está mais na empresa, está no cliente. Por
isso, o grau de clientabilidade de um profissional deve ser substancialmente
superior ao talento ou apenas capacitação técnica.
O
profissional de recursos humanos não deve contratar apenas talento. Talento
tinha na seleção brasileira, na penúltima copa do mundo de 2006. Lembra-se do
quadrado mágico? Pois é, o que faltou foi encantar, surpreender e se
relacionar. Decepção para os clientes brasileiros, os torcedores. O que é necessário
contratar é a habilidade que o profissional tem de gostar de se relacionar com
pessoas, de agradar o cliente; e fazer isso com sinceridade. O lucro é certo.
Ao
contrário da forma de administrar no início da Era Industrial, quando Henry
Ford afirmava que o cliente poderia comprar o carro da cor que quisesse, desde
que fosse preta, agora, a empresa competitiva tem que assumir a posição de ser uma
escolha do cliente, e não a opção.
Encantar,
superar e surpreender. Estes são os verbos que o profissional futurista e
clientável precisa saber conjugar muito bem, e no tempo presente. Porque, após
a fase do encantamento, vem talvez o maior desafio, o de manter o cliente,
fidelizá-lo. Se não, ele apenas “fica” com o produto ou com o serviço. E, no
dia seguinte, prefere o próximo fornecedor da fila. E olha que o consumidor tem
cada vez mais excelentes opções disponibilizadas por viáveis condições de
aquisição.
Então,
a saída pode ser mudar, se adaptar ou morrer. É uma questão de escolha.
*Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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