ORIENTAÇÃO SEXUAL DEFINE CARÁTER?
Artigo de Jair Donato*
Qual é o impedimento que existe
para que alguns assuntos sejam privados de transitarem com naturalidade dentro
da família ou do ambiente religioso? Sem apologia, vamos refletir sobre o que é
fato. Por exemplo, quando se trata da homossexualidade, fato que sempre esteve
presente em todas as épocas, mas tido como assunto velado ou tabu no seio
familiar tradicional ou como pecado para os religiosos. Talvez pensassem que
tratando sobre esse fato com “olhos vendados” poderia ser menos dolorido ou que
não fossem castigados.
No Brasil, segundo estudos,
existe em torno de dezenove modelos de família, característica da sociedade da Era
do Conhecimento. Embora, culturalmente a família tradicional ainda mantenha
ideias preconcebidas sobre uma série de novas situações no meio social, como a
possibilidade de haver uma relação íntegra entre pessoas do mesmo sexo, como se
caráter e integridade fossem atributos da orientação sexual e não da moral
humana.
A história apresenta que sempre
houve bizarrices, perversões sexuais, torturas, crimes e imoralidade em todos
os ambientes, inclusive no seio das famílias mais tradicionais, em qualquer parte
do planeta. Qual é a prova de que é a orientação sexual que define o caráter
humano? Qual evidência que existe sobre isso e quem ousou afirmar algo a
respeito? Qual é a pesquisa que aponta que a canalhice, a traição, a
infidelidade, a prevaricação, a perversão e o mau-caratismo estão
vinculados a determinado tipo de orientação sexual, seja homo ou heterossexual?
Embora haja quem pressuponha o
contrário, a imoralidade é um atributo vinculado à falta de crescimento moral
humano, e não à orientação sexual. Deve ser o respeito ao próximo, a
integridade consigo e com os demais e a eliminação da rigidez ao julgar as
pessoas que tornará o ser humano mais digno, e não o apego a rótulo algum, seja
religioso ou ativista. Talvez pensar assim nem requeira tanto esforço, pode ser
apenas uma questão de ver o mundo por uma lente mais ampla, dado a natureza da
complexidade humana.
O que torna o caráter do homem
sem moral é a defesa fundamentalista pela própria orientação sexual a ponto de
chamar a atenção da sociedade pelo exibicionismo e pela intolerância. É o caso
do ativismo exacerbado e afrontante de um lado, e a homofobia de outro. É a
banalidade sexual, seja com parceiro do mesmo sexo ou do sexo oposto, que faz o
ser humano desconstituir-se de nobreza. Se o mau caráter fosse uma
característica intrínseca a um grupo com determinada orientação sexual
específica, talvez a solução fosse a eliminação da outra parte, de orientação
contrária.
Contudo, percebe-se que esta não
é uma situação radical, como insistem muitos ao querer curar o que nunca foi
doença. A cura do mau caráter, da falta de sensatez e transparência, da
presunção, do fundamentalismo, do sectarismo e da intolerância é que deve ser o
grande projeto da atualidade. E isso começa individualmente. É cada um cuidar
da própria moral. Assim, percebe-se que não é a sexualidade que define o caráter.
Na verdade, quando o homem cresce
pouco, espiritual e moralmente, até mesmo a paz é uma ameaça, como parafraseia
o líder espiritualista Paiva Neto. A empatia aplicada na compreensão da
natureza humana, esse deve ser o maior atributo presente na família
contemporânea, em detrimento a quaisquer formas de ideias preconcebidas.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário