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sexta-feira, 25 de abril de 2014

ORIENTAÇÃO SEXUAL DEFINE CARÁTER?
Artigo de Jair Donato*

Qual é o impedimento que existe para que alguns assuntos sejam privados de transitarem com naturalidade dentro da família ou do ambiente religioso? Sem apologia, vamos refletir sobre o que é fato. Por exemplo, quando se trata da homossexualidade, fato que sempre esteve presente em todas as épocas, mas tido como assunto velado ou tabu no seio familiar tradicional ou como pecado para os religiosos. Talvez pensassem que tratando sobre esse fato com “olhos vendados” poderia ser menos dolorido ou que não fossem castigados.

No Brasil, segundo estudos, existe em torno de dezenove modelos de família, característica da sociedade da Era do Conhecimento. Embora, culturalmente a família tradicional ainda mantenha ideias preconcebidas sobre uma série de novas situações no meio social, como a possibilidade de haver uma relação íntegra entre pessoas do mesmo sexo, como se caráter e integridade fossem atributos da orientação sexual e não da moral humana.

A história apresenta que sempre houve bizarrices, perversões sexuais, torturas, crimes e imoralidade em todos os ambientes, inclusive no seio das famílias mais tradicionais, em qualquer parte do planeta. Qual é a prova de que é a orientação sexual que define o caráter humano? Qual evidência que existe sobre isso e quem ousou afirmar algo a respeito? Qual é a pesquisa que aponta que a canalhice, a traição, a infidelidade, a prevaricação, a perversão e o mau-caratismo estão vinculados a determinado tipo de orientação sexual, seja homo ou heterossexual?

Embora haja quem pressuponha o contrário, a imoralidade é um atributo vinculado à falta de crescimento moral humano, e não à orientação sexual. Deve ser o respeito ao próximo, a integridade consigo e com os demais e a eliminação da rigidez ao julgar as pessoas que tornará o ser humano mais digno, e não o apego a rótulo algum, seja religioso ou ativista. Talvez pensar assim nem requeira tanto esforço, pode ser apenas uma questão de ver o mundo por uma lente mais ampla, dado a natureza da complexidade humana.

O que torna o caráter do homem sem moral é a defesa fundamentalista pela própria orientação sexual a ponto de chamar a atenção da sociedade pelo exibicionismo e pela intolerância. É o caso do ativismo exacerbado e afrontante de um lado, e a homofobia de outro. É a banalidade sexual, seja com parceiro do mesmo sexo ou do sexo oposto, que faz o ser humano desconstituir-se de nobreza. Se o mau caráter fosse uma característica intrínseca a um grupo com determinada orientação sexual específica, talvez a solução fosse a eliminação da outra parte, de orientação contrária.

Contudo, percebe-se que esta não é uma situação radical, como insistem muitos ao querer curar o que nunca foi doença. A cura do mau caráter, da falta de sensatez e transparência, da presunção, do fundamentalismo, do sectarismo e da intolerância é que deve ser o grande projeto da atualidade. E isso começa individualmente. É cada um cuidar da própria moral. Assim, percebe-se que não é a sexualidade que define o caráter.

Na verdade, quando o homem cresce pouco, espiritual e moralmente, até mesmo a paz é uma ameaça, como parafraseia o líder espiritualista Paiva Neto. A empatia aplicada na compreensão da natureza humana, esse deve ser o maior atributo presente na família contemporânea, em detrimento a quaisquer formas de ideias preconcebidas.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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