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sexta-feira, 11 de abril de 2014

PERVERSÃO DE CADA DIA
Artigo de Jair Donato*

Percebo dentro das organizações como também no ambiente doméstico que há pessoas que possuem um desejo constante de se sobressaírem aos demais com certa dose de superioridade, sem tê-la. De alguma maneira isso as faz sentirem-se aliviadas, não se sabe do quê. Desde um aparente comportamento de ignorar quem esteja por perto, uma crítica, um trato com grosseria, ou até mesmo uma brincadeira constrangedora, perversa.

Experimentos da neurociência mostram a descoberta no cérebro humano de uma área específica para sentir prazer quando “o outro se ferra”. Esse é o perfil de gente que se sente bem quando algo não dá certo para outrem, chega a dar risadas de puro sarcasmo ao ver alguém em apuros, ativando ainda mais essa área neural. O atual pontífice da Igreja Católica, que esteve em visita ao Brasil, Papa Francisco, afirmou que “Não há necessidade de consultar um psicólogo para saber que quando você denigre o outro é porque você mesmo não consegue crescer e precisa que o outro seja rebaixado para você se sentir alguém”.

Pois há gente que costumeiramente tem atitudes de escarnio, petulância e sente prazer em satirizar os demais. Isso parece aliviar momentaneamente a própria condição de inferioridade. Contudo, quer vê-lo desestabilizado rapidamente? É só alguém fazer o mesmo com ele, satirizá-lo. Então, logo perderá as estribeiras e pode ir até a agressão física por descontrole emocional. Mas é gente que às vezes precisa de ajuda, por se tornar insuportável para si mesma. A fragilidade é tamanha que precisa demonstrar dureza, orgulho, pescoço duro. Como se assim fosse, pura autodefesa,

Mas, qual é o prejuízo que uma pessoa com lesões psicológicas, tais como baixa estima e frustrações íntimas, pode provocar? O que esperar de colegas profissionais ou familiares com tal postura? Talvez o maior dano seja a eles mesmos, embora isso afete também quem estiver por perto. Pessoas assim perdem inúmeras oportunidades de serem úteis e agradáveis. Até quando riem é por euforia, porque no fundo possuem um aspecto amargo e de insatisfação consigo e com o mundo. E sem perceber vivem num constante ciclo de autossabotagem, são os maiores perdedores em quaisquer relações.

De maneira explícita ou implícita, os comportamentos perversos, maquiados pela ironia, pelo orgulho, desdém e sarcasmo são tóxicos, e devem ser analisados por quem os expressa, sobre o que causa em si mesmo e aos demais que vivem no entorno. Ao seguir a linha de pensamento do sumo sacerdote católico, uma boa dose de autorreflexão permite ressignificar esse comportamento. Porém, há sintomas que requer ajuda e admitir isso já é um indício de cura. Foi Sêneca quem disse que “Cinquenta por cento da cura está no desejo de ser curado”.
 

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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