PERVERSÃO
DE CADA DIA
Artigo de Jair Donato*
Percebo
dentro das organizações como também no ambiente doméstico que há pessoas que
possuem um desejo constante de se sobressaírem aos demais com certa dose de
superioridade, sem tê-la. De alguma maneira isso as faz sentirem-se aliviadas,
não se sabe do quê. Desde um aparente comportamento de ignorar quem esteja por
perto, uma crítica, um trato com grosseria, ou até mesmo uma brincadeira
constrangedora, perversa.
Experimentos
da neurociência mostram a descoberta no cérebro humano de uma área específica
para sentir prazer quando “o outro se ferra”. Esse é o perfil de gente que se
sente bem quando algo não dá certo para outrem, chega a dar risadas de puro sarcasmo
ao ver alguém em apuros, ativando ainda mais essa área neural. O atual
pontífice da Igreja Católica, que esteve em visita ao Brasil, Papa Francisco,
afirmou que “Não há necessidade de consultar um psicólogo para saber que quando
você denigre o outro é porque você mesmo não consegue crescer e precisa que o
outro seja rebaixado para você se sentir alguém”.
Pois
há gente que costumeiramente tem atitudes de
escarnio, petulância e sente prazer em satirizar os demais. Isso parece aliviar
momentaneamente a própria condição de inferioridade. Contudo, quer vê-lo
desestabilizado rapidamente? É só alguém fazer o mesmo com ele, satirizá-lo. Então,
logo perderá as estribeiras e pode ir até a agressão física por descontrole
emocional. Mas é gente que às vezes precisa de ajuda, por se tornar
insuportável para si mesma. A fragilidade é tamanha que precisa demonstrar
dureza, orgulho, pescoço duro. Como se assim fosse, pura autodefesa,
Mas,
qual é o prejuízo que uma pessoa com lesões psicológicas, tais como baixa
estima e frustrações íntimas, pode provocar? O que esperar de colegas
profissionais ou familiares com tal postura? Talvez o maior dano seja a eles
mesmos, embora isso afete também quem estiver por perto. Pessoas assim perdem inúmeras
oportunidades de serem úteis e agradáveis. Até quando riem é por euforia, porque
no fundo possuem um aspecto amargo e de insatisfação consigo e com o mundo. E
sem perceber vivem num constante ciclo de autossabotagem, são os maiores
perdedores em quaisquer relações.
De maneira explícita ou implícita, os
comportamentos perversos, maquiados pela ironia, pelo orgulho, desdém e
sarcasmo são tóxicos, e devem ser analisados por quem os expressa, sobre o que
causa em si mesmo e aos demais que vivem no entorno. Ao seguir a linha de pensamento do
sumo sacerdote católico, uma boa dose de autorreflexão permite ressignificar
esse comportamento. Porém, há sintomas que requer ajuda e admitir isso já é um
indício de cura. Foi Sêneca quem disse que “Cinquenta por cento da
cura está no desejo de ser curado”.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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