VAI DIZER O QUE
NA HORA DA MORTE?
Artigo de Jair Donato*
Você
já refletiu sobre esse evento natural da vida humana, a hora da morte? O ser humano tem a
tendência de não valorizar no tempo certo os relacionamentos consigo, com os
demais que vivem ao redor dele, nem com o meio ambiente em que vive. Essa
é uma reflexão importante que deve ser inserida no bojo das atitudes no
decorrer da vida.
A enfermeira
australiana Bronnie Ware, após conviver por muitos anos com doentes terminais,
publicou um livro relatando os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm
antes da hora de morrer. É uma excelente oportunidade para refletir sobre uma
fase inevitável em que todos chegarão a ela. Agora pense, talvez o relato de
quem já passou pela experiência e também de quem acompanhou possa fazer com que
você altere parte do roteiro da sua vida. Sempre é tempo.
Segundo
Ware, eis o primeiro arrependimento: “Queria ter aproveitado a vida do
meu jeito e não da forma que os outros queriam”. Afirma a autora que é na hora
que a vida chega ao fim que fica mais fácil perceber quantos sonhos foram
deixados para trás, em prol de agradar mais aos outros do que a si mesmo.
Segundo: “Queria não ter trabalhado tanto”. A enfermeira conta que esse desejo era comum a todos os homens que
ela atendeu, os que pouco viram de perto os filhos crescerem, nem estiveram
tanto na companhia das esposas. Desejo esse também relatado por mulheres.
Terceiro
arrependimento: “Queria ter falado mais sobre meus sentimentos”. Muita gente
aprende desde pequena a suprimir
os próprios sentimentos, se anular, como maneira de viver em paz com
outras pessoas. De acordo com a enfermeira, muitas doenças foram desenvolvidas
nos pacientes por guardarem rancores sobre fatos, mas nunca falavam sobre o
assunto. Quarto: “Não queria ter perdido
contato com meus amigos”. Segundo a autora, todos sentem falta
dos amigos quando estão morrendo. Ela diz que muitos não percebem, mas sentem
saudades dos amigos semanas antes da morte. Para muitos, eles ocupam lugares
até mais fortes do que determinados parentes.
E o quinto arrependimento, que é uma síntese dos demais: “Queria ter me permitido ser feliz”. A autora diz que muitas pessoas só percebiam no fim da vida que a felicidade é uma questão de escolha e descobriam que o foi o medo de mudar que fez com que eles fingissem para os outros que estavam satisfeitos, mas no fundo queriam ter mais momentos alegres. A proximidade da morte faz com que as pessoas vão perdendo a capacidade de fingir, elas passam a serem mais elas mesmas, revela a autora.
É da natureza humana
levar um tempo para unir os pontos. Mas chegará o dia do Juízo Final, diz o
ambientalista americano Al Gore. Ou seja, será quando você vai desejar ter
ligado os pontos, mais rápido. Talvez, não haja declaração mais frustrante do
que o arrependimento pelo que poderia ter sido feito antes. E você, o que ainda
não fez, mas que poderia? Quem sabe uma viagem, um investimento, uma proeza, um
sonho a mais, talvez um pedido de perdão, mais sorrisos, pense. No fim, a consciência
ideal talvez seja a de sentimentos de compensação por ter feito a coisa certa,
no momento certo, sem arrependimento, frustração ou punição.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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