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sábado, 12 de abril de 2014

VAI DIZER O QUE NA HORA DA MORTE?
Artigo de Jair Donato*

Você já refletiu sobre esse evento natural da vida humana, a hora da morte? O ser humano tem a tendência de não valorizar no tempo certo os relacionamentos consigo, com os demais que vivem ao redor dele, nem com o meio ambiente em que vive. Essa é uma reflexão importante que deve ser inserida no bojo das atitudes no decorrer da vida.

A enfermeira australiana Bronnie Ware, após conviver por muitos anos com doentes terminais, publicou um livro relatando os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm antes da hora de morrer. É uma excelente oportunidade para refletir sobre uma fase inevitável em que todos chegarão a ela. Agora pense, talvez o relato de quem já passou pela experiência e também de quem acompanhou possa fazer com que você altere parte do roteiro da sua vida. Sempre é tempo.

Segundo Ware, eis o primeiro arrependimento: “Queria ter aproveitado a vida do meu jeito e não da forma que os outros queriam”. Afirma a autora que é na hora que a vida chega ao fim que fica mais fácil perceber quantos sonhos foram deixados para trás, em prol de agradar mais aos outros do que a si mesmo. Segundo: “Queria não ter trabalhado tanto”. A enfermeira conta que esse desejo era comum a todos os homens que ela atendeu, os que pouco viram de perto os filhos crescerem, nem estiveram tanto na companhia das esposas. Desejo esse também relatado por mulheres.

Terceiro arrependimento: “Queria ter falado mais sobre meus sentimentos”. Muita gente aprende desde pequena a suprimir os próprios sentimentos, se anular, como maneira de viver em paz com outras pessoas. De acordo com a enfermeira, muitas doenças foram desenvolvidas nos pacientes por guardarem rancores sobre fatos, mas nunca falavam sobre o assunto. Quarto: “Não queria ter perdido contato com meus amigos”. Segundo a autora, todos sentem falta dos amigos quando estão morrendo. Ela diz que muitos não percebem, mas sentem saudades dos amigos semanas antes da morte. Para muitos, eles ocupam lugares até mais fortes do que determinados parentes.

E o quinto arrependimento, que é uma síntese dos demais: “Queria ter me permitido ser feliz”. A autora diz que muitas pessoas só percebiam no fim da vida que a felicidade é uma questão de escolha e descobriam que o foi o medo de mudar que fez com que eles fingissem para os outros que estavam satisfeitos, mas no fundo queriam ter mais momentos alegres. A proximidade da morte faz com que as pessoas vão perdendo a capacidade de fingir, elas passam a serem mais elas mesmas, revela a autora.
               
É da natureza humana levar um tempo para unir os pontos. Mas chegará o dia do Juízo Final, diz o ambientalista americano Al Gore. Ou seja, será quando você vai desejar ter ligado os pontos, mais rápido. Talvez, não haja declaração mais frustrante do que o arrependimento pelo que poderia ter sido feito antes. E você, o que ainda não fez, mas que poderia? Quem sabe uma viagem, um investimento, uma proeza, um sonho a mais, talvez um pedido de perdão, mais sorrisos, pense. No fim, a consciência ideal talvez seja a de sentimentos de compensação por ter feito a coisa certa, no momento certo, sem arrependimento, frustração ou punição.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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