PARADOXO DA SUPERIORIDADE HUMANA
Artigo de Jair Donato*
Certa
vez, quando o astronauta japonês Mouri subiu ao espaço, disse: “Na Terra não
existem linhas divisórias das fronteiras”. Realmente, ao considerar essa visão,
não deveria existir fronteiras na terra, assim como não existem raças, senão a humana.
A mesma visão aplica-se em relação a diversas questões que assolam a
coletividade, como as alterações climáticas, um problema que transcende fronteiras.
Pois se cada nação pensar e agir em prol dos próprios interesses, os problemas
ecológicos em âmbito mundial continuarão sem solução.
Mudanças
climáticas não é um problema ambiental que existe por si só. Trata-se de algo que
se inter-relaciona com várias questões, como os recursos naturais, o alimento, a
economia, o índice populacional, a cultura e a política. Quando se fala de
direito ambiental, deve-se falar também de direitos humanos. Pois é impossível
separar o dever de preservar e conservar a natureza do direito que o ser humano
possui de viver num ambiente saudável. Somente pela mudança cultural na
sociedade através da ética ecológica, poderá garantir um futuro sem problemas dessa
natureza. Teria mesmo o homem um centralismo tamanho para agir impunemente
tratando a Terra como material periférico, sem as devidas consequências? Eis um
grande dilema ético.
Quando
um inseto ou um animal ataca alguém, ele entra em movimento por defesa, por se sentir
ameaçado, isso é concebível. Mas, e o ser humano, por qual motivo ele ataca e
destrói o ambiente que o abriga e os recursos naturais que garantem a própria
sobrevivência? O que motiva tal superioridade? Talvez esse seja o cerne da uma
profunda reflexão. A espiritualidade do homem pode ser avaliada não apenas pela
fé religiosa. Mas, também pelo grau de altruísmo e de consciência sustentável
que possui. São variáveis preponderantes que revelam o equilíbrio que há em cada
um na relação com o meio ambiente.
É
necessária uma mudança radical no comportamento atual do ser humano. É chegada
a hora de cada um repensar a atitude que têm em relação a si mesmo, aos demais,
e, principalmente, ao meio ambiente em que vive. Mudar é algo saudável,
espirituoso, principalmente quando o motivo que redireciona o movimento de quem
o faz é voltado para o bem coletivo. Reza um dos preceitos da Organização das
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - Unesco, que a paz começa e
termina na mente. Portanto é na mente dos homens que as defesas da paz devem
ser construídas.
Vale
refletir sobre o que disse o escritor Rubem Alves: “Antes que qualquer árvore
seja plantada, ou que qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e
os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro não tem
jardins por fora. E nem passeia por eles.” O cerne da uma mudança será sempre
de dentro pra fora. Além disso, não poderá ser uma mudança verdadeira.
*Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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