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quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARADOXO DA SUPERIORIDADE HUMANA
Artigo de Jair Donato*

Certa vez, quando o astronauta japonês Mouri subiu ao espaço, disse: “Na Terra não existem linhas divisórias das fronteiras”. Realmente, ao considerar essa visão, não deveria existir fronteiras na terra, assim como não existem raças, senão a humana. A mesma visão aplica-se em relação a diversas questões que assolam a coletividade, como as alterações climáticas, um problema que transcende fronteiras. Pois se cada nação pensar e agir em prol dos próprios interesses, os problemas ecológicos em âmbito mundial continuarão sem solução.

Mudanças climáticas não é um problema ambiental que existe por si só. Trata-se de algo que se inter-relaciona com várias questões, como os recursos naturais, o alimento, a economia, o índice populacional, a cultura e a política. Quando se fala de direito ambiental, deve-se falar também de direitos humanos. Pois é impossível separar o dever de preservar e conservar a natureza do direito que o ser humano possui de viver num ambiente saudável. Somente pela mudança cultural na sociedade através da ética ecológica, poderá garantir um futuro sem problemas dessa natureza. Teria mesmo o homem um centralismo tamanho para agir impunemente tratando a Terra como material periférico, sem as devidas consequências? Eis um grande dilema ético.

Quando um inseto ou um animal ataca alguém, ele entra em movimento por defesa, por se sentir ameaçado, isso é concebível. Mas, e o ser humano, por qual motivo ele ataca e destrói o ambiente que o abriga e os recursos naturais que garantem a própria sobrevivência? O que motiva tal superioridade? Talvez esse seja o cerne da uma profunda reflexão. A espiritualidade do homem pode ser avaliada não apenas pela fé religiosa. Mas, também pelo grau de altruísmo e de consciência sustentável que possui. São variáveis preponderantes que revelam o equilíbrio que há em cada um na relação com o meio ambiente.

É necessária uma mudança radical no comportamento atual do ser humano. É chegada a hora de cada um repensar a atitude que têm em relação a si mesmo, aos demais, e, principalmente, ao meio ambiente em que vive. Mudar é algo saudável, espirituoso, principalmente quando o motivo que redireciona o movimento de quem o faz é voltado para o bem coletivo. Reza um dos preceitos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - Unesco, que a paz começa e termina na mente. Portanto é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas.

Vale refletir sobre o que disse o escritor Rubem Alves: “Antes que qualquer árvore seja plantada, ou que qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro não tem jardins por fora. E nem passeia por eles.” O cerne da uma mudança será sempre de dentro pra fora. Além disso, não poderá ser uma mudança verdadeira.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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