GHANDI E O BRILHO DA MAÇÃ
Artigo de Jair Donato*
Conta-se que certa vez uma mãe levou
o filho dela para uma visita ao líder indiano Mahatma Gandhi na esperança de
que a criança fosse orientada por ele. Ao aproximar-se essa mãe falou da
preocupação que tinha pelo fato do filho ingerir muito doce e que ele não a
ouvia mais. No entanto, ela acreditava que um conselho de Gandhi direto ao
filho poderia fazer com que ele diminuísse ou eliminasse o vício pelo doce.
Ao ouvir o pedido daquela mãe e fitar
por alguns instantes o menino, o guru pediu que ela levasse o filho para casa e
que o trouxesse novamente quinze dias após. Sem entender nada, mas considerando
que fazia parte do processo, ela assim fez. Após uma quinzena, eis que mãe e
filho retornam e apresentam-se novamente a Gandhi, o qual disse convicto ao
filho da senhora: “Filho, pare de comer doce”.
Mas, só isso? Interpelou a mãe,
diante dessa instrução, que aos olhos dela era muito simples. Pois esse
conselho ele poderia ter dado ao filho há quinze dias antes, sem a necessidade
de voltarem novamente. Ao que Gandhi respondeu: “Mãe, acontece que há quinze
dias, quando a senhora veio até aqui eu também comia doce”. Aquela mãe entendeu
a mensagem.
Bom seria se a maioria dos
políticos, religiosos, negociadores e profissionais do mundo corporativo também
compreendessem o que de fato há nessa passagem. Certamente os exemplos seriam
mais transparentes e teríamos o realce da ética. A postura aparente é um
aspecto muito importante, mas somente se houver conteúdo interno. Pregar
discursos de um jeito e agir de outro é uma incongruência, algo semelhante ao
brilho da maçã, que se for adquirida apenas por esse aspecto estético poderá
estar podre por dentro.
Engana aquele que enverniza as
palavras, porém age ao contrário do que apregoa. Por isso é que a liderança de
fato não pode ser apreendida como teoria e sim pelo comportamento. O resto é
faz de conta. Facilmente se veem expostas atrás das mesas de muitos “chefes” coercitivos
coletâneas de livros sobre liderança, além de certificados de cursos de imersão
para líderes. Sim, eles não são ignorantes em relação ao assunto. Mas, por que
na prática agem ao contrário? É que não se torna um líder sem mudança de
atitude.
Você tem dúvida disso? Então pergunte,
se é que você mesmo não já passou por situação semelhante, como é que se sente uma
pessoa que já foi ou é subordinada a um chefe dessa natureza. Na verdade,
parece apetitosa aquela maçã cujo invólucro seja brilhoso e com agradável
estética. Mas, prefira junto verificar o conteúdo, nele está o sabor. Não
aposte só no brilho, ouça mais o que Gandhi tem a ensinar. Liderança de fato é
assim, só ocorre pelo exemplo.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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