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sábado, 5 de abril de 2014

GHANDI E O BRILHO DA MAÇÃ
Artigo de Jair Donato*

Conta-se que certa vez uma mãe levou o filho dela para uma visita ao líder indiano Mahatma Gandhi na esperança de que a criança fosse orientada por ele. Ao aproximar-se essa mãe falou da preocupação que tinha pelo fato do filho ingerir muito doce e que ele não a ouvia mais. No entanto, ela acreditava que um conselho de Gandhi direto ao filho poderia fazer com que ele diminuísse ou eliminasse o vício pelo doce.

Ao ouvir o pedido daquela mãe e fitar por alguns instantes o menino, o guru pediu que ela levasse o filho para casa e que o trouxesse novamente quinze dias após. Sem entender nada, mas considerando que fazia parte do processo, ela assim fez. Após uma quinzena, eis que mãe e filho retornam e apresentam-se novamente a Gandhi, o qual disse convicto ao filho da senhora: “Filho, pare de comer doce”.

Mas, só isso? Interpelou a mãe, diante dessa instrução, que aos olhos dela era muito simples. Pois esse conselho ele poderia ter dado ao filho há quinze dias antes, sem a necessidade de voltarem novamente. Ao que Gandhi respondeu: “Mãe, acontece que há quinze dias, quando a senhora veio até aqui eu também comia doce”. Aquela mãe entendeu a mensagem.

Bom seria se a maioria dos políticos, religiosos, negociadores e profissionais do mundo corporativo também compreendessem o que de fato há nessa passagem. Certamente os exemplos seriam mais transparentes e teríamos o realce da ética. A postura aparente é um aspecto muito importante, mas somente se houver conteúdo interno. Pregar discursos de um jeito e agir de outro é uma incongruência, algo semelhante ao brilho da maçã, que se for adquirida apenas por esse aspecto estético poderá estar podre por dentro.

Engana aquele que enverniza as palavras, porém age ao contrário do que apregoa. Por isso é que a liderança de fato não pode ser apreendida como teoria e sim pelo comportamento. O resto é faz de conta. Facilmente se veem expostas atrás das mesas de muitos “chefes” coercitivos coletâneas de livros sobre liderança, além de certificados de cursos de imersão para líderes. Sim, eles não são ignorantes em relação ao assunto. Mas, por que na prática agem ao contrário? É que não se torna um líder sem mudança de atitude.

Você tem dúvida disso? Então pergunte, se é que você mesmo não já passou por situação semelhante, como é que se sente uma pessoa que já foi ou é subordinada a um chefe dessa natureza. Na verdade, parece apetitosa aquela maçã cujo invólucro seja brilhoso e com agradável estética. Mas, prefira junto verificar o conteúdo, nele está o sabor. Não aposte só no brilho, ouça mais o que Gandhi tem a ensinar. Liderança de fato é assim, só ocorre pelo exemplo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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