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terça-feira, 29 de abril de 2014

VISÃO MÍOPE
Artigo de Jair Donato* 

O ser humano se diferencia dos demais seres pela capacidade que possui em transformar a natureza, inventar, ter ideias, produzir coisas e eventos para si e para o meio em que vive. Enfim, é ele é capaz de produzir ‘cultura’. Essa diferença é o que provoca transformação, seja para conservar ou para destruir. No entanto, o homem também age continuamente com visão de curto prazo, sem pensar na em relação que possui com o planeta e os impactos que nele pode gerar.

Tudo que se compra, come ou veste, a água ou a energia que é utilizada, até chegar aos resíduos que são descartados, têm consequências diretas na qualidade de vida do próprio ser humano na face Terra. O mundo necessita de uma nova forma de ver e lidar com os fatos, em virtude dos frequentes fenômenos de alterações climáticas quem tem ocorrido, e não são poucos. É necessário rever a cegueira que permite apenas olhar o ‘próprio umbigo’.

Toda vez que o homem faz uso daquilo que é natural e que não dependeu da própria ação dele, e o transforma, ele cria uma cultura, seja no reino mineral, vegetal ou animal. Desde a alteração do curso de um rio, abertura de uma nova estrada, a construção de um imóvel, a domesticação e alteração genética de animais, ou o cultivo de novas plantações em grande escala, ele altera um ciclo natural de longo prazo. É o homem o único ser que consegue interferir na própria espécie sem obedecer necessariamente a um ciclo natural.

A cultura do capitalismo e o avanço tecnológico têm apressado o homem a transformar velozmente o próprio ambiente. Não que seja inconsequente produzir melhoria, mas o que provoca a destruição da natureza é a inconsequência humana ao mudar as coisas em prol de valores falsos, a exemplo do lucro imediato e demais interesses que desconsideram o bem comum sustentável.

É a mentalidade do homem que precisa ser revista, é preciso o fortalecimento de uma nova cultura, vista ainda apenas como idealismo de ambientalistas. Mas a sobrevivência na Terra certamente dependerá dessa mudança. Através das relações sociais estabelecidas, das diferentes formas de trabalhos e produção, o homem altera deliberadamente à própria vida e o meio ambiente em que vive, como se fosse indiferente a tudo isso. Com poder parcial de criação, o homem não se mostra competente para restituir à natureza tudo o que consome na mesma intensidade em que destrói.

O filósofo chinês Confúcio, bem antes da Era Cristã, deixou um preceito fundamental para os dias atuais, que pode ajudar a entender melhor o conceito de sustentabilidade. “As pessoas que não pensam bastante à frente, inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos”. O fato é que há uma inter-relação entre o ser humano e as demais espécies do reino animal, vegetal e mineral, muito mais do que ele possa imaginar. Cada um pode fazer diferente na hora em que decidir.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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