O SER HUMANO E A PEDRA
Você sabe a diferença entre a
pedra da foz e a pedra da nascente do rio? Essa é uma analogia que propicia
reflexão sobre o desenvolvimento humano. As pedras enquanto estão na nascente
possuem formas discrepantes. Enquanto umas são pontiagudas, outras são toscas,
cheias de arestas, algumas quadradas e com tamanhos desproporcionais, pouco
lapidadas.
Mas, ao deslocarem-se e rolarem
pelo leito do rio, elas vão se chocando umas com as outras e pelo atrito que
provocam, naturalmente vão sendo eliminadas as arestas e as pontas finas.
Quanto mais rolam e colidem entre elas, vão perdendo as desproporcionalidades e
tomando formas semelhantes, ficando mais arredondadas e lisas. No entanto,
permanece uma característica, elas não se tornam necessariamente iguais.
Faremos agora uma analogia desse
fato com o ser humano. É possível seja no início da carreira profissional, quando
começa um novo relacionamento, na inserção em um grupo social diferente, ou
mesmo no início de qualquer outra área da vida, que as pessoas se relacionem de
maneira tosca, pontiagudas, cheias de “não me toques”. Agem de tal maneira que
não permitem que os demais se aproximem delas. Também podem ter ideias
preconcebidas e atitudes individualistas. E isso só afasta um bom
relacionamento.
Contudo, a medida que cada um
passa a viver em grupo, pelo atrito natural da convivência em diferentes
ambientes, começa a perceber que em prol do coletivo é importante ceder em
vários momentos. É quando o indivíduo passa a aceitar quem pensa diferente,
entende que as pessoas possuem gostos e preferencias díspares. Ele descobre que
vai se tornando cada vez mais semelhante ao próximo, que na essência todos
provém da mesma natureza. E assim cada um vai se tornando mais uníssono e
parecido com o outro, o que é um indício de maturidade. E tudo isso ocorre sem
que cada um perca a própria individualidade.
Chega então o momento na vida em que
surge a necessidade de uma profunda reflexão. Descubra ao perguntar a si mesmo:
“Em que área da minha vida ainda assemelha-se à pedra da nascente do rio e em
que área já me encontro como a pedra da foz?” Através desse inventário interno
é que cada indivíduo pode analisar a própria condição e quais são as características
que podem ser melhoradas. Afinal, a vida é um constructo de aprendizados e
valores que vão se formando à medida que cada um se permite ver os fatos por
outra perspectiva, apreende o que há de bom nas adversidades e assimila que o
mundo não está centrado unicamente em si mesmo.
Dessa forma você poderá
vislumbrar patamares evolutivos na própria história da vida pessoal e social,
enquanto criatura que depende da convivência com o outro para socializar-se e
contribuir com o progresso humano no ambiente em que vive. A prática da
auto-observação talvez seja o melhor caminho para fazer dos atritos naturais da
vida o meio de lapidar a si mesmo e assim se permitir conviver melhor com os
outros sem tanto orgulho e vaidade. E tudo isso sem deixar de ser você mesmo.
*Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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