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quinta-feira, 24 de abril de 2014

O SER HUMANO E A PEDRA
Artigo de Jair Donato*

Você sabe a diferença entre a pedra da foz e a pedra da nascente do rio? Essa é uma analogia que propicia reflexão sobre o desenvolvimento humano. As pedras enquanto estão na nascente possuem formas discrepantes. Enquanto umas são pontiagudas, outras são toscas, cheias de arestas, algumas quadradas e com tamanhos desproporcionais, pouco lapidadas.

Mas, ao deslocarem-se e rolarem pelo leito do rio, elas vão se chocando umas com as outras e pelo atrito que provocam, naturalmente vão sendo eliminadas as arestas e as pontas finas. Quanto mais rolam e colidem entre elas, vão perdendo as desproporcionalidades e tomando formas semelhantes, ficando mais arredondadas e lisas. No entanto, permanece uma característica, elas não se tornam necessariamente iguais.

Faremos agora uma analogia desse fato com o ser humano. É possível seja no início da carreira profissional, quando começa um novo relacionamento, na inserção em um grupo social diferente, ou mesmo no início de qualquer outra área da vida, que as pessoas se relacionem de maneira tosca, pontiagudas, cheias de “não me toques”. Agem de tal maneira que não permitem que os demais se aproximem delas. Também podem ter ideias preconcebidas e atitudes individualistas. E isso só afasta um bom relacionamento.

Contudo, a medida que cada um passa a viver em grupo, pelo atrito natural da convivência em diferentes ambientes, começa a perceber que em prol do coletivo é importante ceder em vários momentos. É quando o indivíduo passa a aceitar quem pensa diferente, entende que as pessoas possuem gostos e preferencias díspares. Ele descobre que vai se tornando cada vez mais semelhante ao próximo, que na essência todos provém da mesma natureza. E assim cada um vai se tornando mais uníssono e parecido com o outro, o que é um indício de maturidade. E tudo isso ocorre sem que cada um perca a própria individualidade.

Chega então o momento na vida em que surge a necessidade de uma profunda reflexão. Descubra ao perguntar a si mesmo: “Em que área da minha vida ainda assemelha-se à pedra da nascente do rio e em que área já me encontro como a pedra da foz?” Através desse inventário interno é que cada indivíduo pode analisar a própria condição e quais são as características que podem ser melhoradas. Afinal, a vida é um constructo de aprendizados e valores que vão se formando à medida que cada um se permite ver os fatos por outra perspectiva, apreende o que há de bom nas adversidades e assimila que o mundo não está centrado unicamente em si mesmo.

Dessa forma você poderá vislumbrar patamares evolutivos na própria história da vida pessoal e social, enquanto criatura que depende da convivência com o outro para socializar-se e contribuir com o progresso humano no ambiente em que vive. A prática da auto-observação talvez seja o melhor caminho para fazer dos atritos naturais da vida o meio de lapidar a si mesmo e assim se permitir conviver melhor com os outros sem tanto orgulho e vaidade. E tudo isso sem deixar de ser você mesmo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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