EDUCAÇÃO, VIA DA ESPIRITUALIDADE
Artigo de Jair Donato*
A
espiritualidade é um contexto que também possui elementos comuns entre as
religiões, tais como amor, gratidão, caridade, esperança, liberdade,
fraternidade, dentre outros. Mas ela não é constituída de rituais, costumes,
dogmas, sectarismos, conteúdos religiosos e históricos como existe nas
correntes religiosas. Nem se baseia na maneira como o fundador de cada religião
via o mundo. A consciência é mais valiosa do que o preceito de uma doutrina,
pois ela é uníssona a todos, sem distinção. A espiritualidade é laica, pois não
compactua com rótulos, tampouco defende postura fundamentalista ou
preconceituosa.
Portanto,
para desenvolver a espiritualidade não é necessário recorrer a ritos e
cerimônias, tampouco a crenças específicas em divindade alguma, o que de algum
modo não deixam de ser fatores que contribuem para que as pessoas se
sensibilizem e se tornem melhores no mundo. No entanto, a via pela qual as
pessoas podem se tornar mais espirituosas denomina-se: educação. Educar-se para
o aumento da inteligência nas emoções, se tornar mais perceptivo, desenvolver a
humildade em detrimento ao orgulho e a vaidade; isso é espirituoso. Tornar-se
melhor não se trata apenas de implorar aos céus e recitar mantras ou rezas
elaboradas, mas de educar a própria mente através da mudança de hábito para o
bem de si mesmo e cultivar valores comuns.
A decisão, o
planejamento, o esforço e a persistência para quem sabe o que quer na vida, e
se organiza pela força do foco, é o caminho para a conquista dos objetivos mais
nobres que possam mudar o destino da humanidade. A cura de doenças seculares, o
avanço da tecnologia, a conexão entre o mundo, o aumento da expectativa de vida
e a melhora na qualidade de vida das pessoas surgem a partir de ações nobres
advindas do desejo de tornar o ambiente melhor. Portanto, o altruísmo é um eixo
central da espiritualidade, eixo que independe de sectarismo.
No dia em que o
preconceito for contido através da compreensão de que “eu e o outro” formam
única unidade, o respeito pela diversidade surgirá. Chegará o momento em que
cada um será respeitado seja pela cor da pele, pela nação a que pertence, pela
orientação sexual, pela profissão que exerce ou pela fé religiosa que professa,
pois a união virá pelo respeito às diferenças.
Comumente,
as pessoas sofrem na vida por falta de educação, que é a condição para
expressão dos níveis da espiritualidade. Há quem perde as melhores
oportunidades por falta de educação. Há quem adoece, se relaciona mal, desvaloriza
bons momentos, provoca situações constrangedoras e perde qualidade de vida, como
consequência de uma vida pouco disciplinada, deseducada. Não me refiro à
educação acadêmica que se dá pela institucionalidade. Mas, da educação da vida,
aquela que compreende os aspectos sociais, físicos, mentais e psicológicos, peculiares
a todo ser humano, que se expressa tanto pela simplicidade quanto pelo mais
alto grau de intelectualidade.
Educar-se
é uma questão de visão, percepção do presente e do futuro. Fundamenta-se em ressignificar
crenças limitantes, trocar atitudes pessimistas por condutas entusiastas. É
trocar ressentimentos pelo perdão e evitar atritos nos relacionamentos para
manter-se saudável tanto física como emocionalmente. Uma pessoa que não
disciplina a si mesma o suficiente para eliminar um vício, para atingir uma
meta através da mudança de hábito, é pouco provável que seja bem sucedida nem
mesmo pela via da religião. Pois talvez não haja nenhuma divindade disposta a
ajudar aquele que sequer ajuda a si próprio.
Educar-se
é antes instruir-se, cuidar da própria conduta rumo a melhoria contínua, e agir
resoluto avante ao objetivo estabelecido. É viver coletivamente e respeitar
limites, de si e dos outros. Pois tudo de valioso na vida surge como fruto de
pequenos passos, dia após dia. Ou seja, trilhar na rota da educação é
espiritualizar-se. Aristóteles assimilou bem quando disse que a excelência
não é um feito, e sim um hábito.
É importante considerar que o
processo de educação começa antes pelo pensamento. Foi Platão quem afirmou que
o mundo em que vivemos é o da segunda criação. O Mundo da primeira criação é o
mundo das ideias. Portanto, antes são os nossos pensamentos que precisam ser
educados e continuamente reeducados. Toda consequência provém daí.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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