VOCÊ TEM
FORMAÇÃO OU COMPETÊNCIA?
Artigo de Jair Donato*
Como
educador e atuante no contexto que contribui para o desenvolvimento de
habilidades necessárias para que um profissional possa se inserir no mercado de
trabalho, não me iludo e sei exatamente o papel de um título acadêmico versus
uma competência desenvolvida. E bom que não haja confusão ao lidar com isso
quando se trata do talento humano. Para que uma pessoa se dê bem na carreira
profissional, nem sempre formação institucional coaduna com competência. As
duas condições são importantes, porém, cada uma ocupa o devido lugar no rol de
quesitos para que se edifique no mercado.
Sem
nenhum demérito, a formação acadêmica é o marco inicial que ajuda um novo
profissional adentrar ao mercado de trabalho. Mas, ainda é bem pouco porque só
ela não propicia com que esse profissional nele permaneça. O que garante
permanência competitiva no palco avassalador denominado mercado de trabalho
chama-se competência. Ou seja, é o contexto do conhecer, do saber fazer, da
atitude e de se relacionar bem com pessoas, processos e tecnologia. Isso vai
muito além do que um título acadêmico, isoladamente. É necessário atualizar-se
de maneira efetiva para manter-se competitivo, e se mover de forma flexível a
todo o momento.
Há muita gente jovem
que sonha em enveredar-se para concurso público, nem tanto pelo desejo de
servir, presencio isso cotidianamente, mas por escolher essa alternativa como
porto seguro. Daí talvez só a formação valha apena, embora eu duvide. Mas no
mundo corporativo ou se desenvolve competência ou está fora do contexto. Entretanto,
o que seria uma competência? Trata-se da capacidade de mobilizar recursos de
quaisquer naturezas para exercer uma atividade, seja física, social, política,
estratégica, psicológica, cognitiva ou emocional.
Há também gente sem
visão que recusa contratar um talento apenas por ele ainda não exibir um título
de mestre ou doutor, sem avaliar a competência em fazer bem aquilo a que se
habilita. No mercado do ensino tem muitos mestres e doutores, e ainda com alto
grau de incompetência no ofício da expressão. Gente que sabe muito, mas não
consegue repassar e desenvolver outros profissionais. Esse perfil pouco agrada
os estudantes. Há muita gente bem titulada que mais frustra do que agrega, pois
a falta de competências básicas como comunicação, habilidade política,
estratégica, emocional e de relacionamento são fundamentais para compartilhar o
conhecimento.
Agora pergunte a si
mesmo, você está onde está - caso se sinta bem profissionalmente, por formação
ou competência? A resposta que tiver será o indicador se você ficará nesse
ambiente em curto ou longo prazo de maneira competitiva. Acredito que esteja
pelos dois fatores, claro. Mas, se apenas a formação gradual valer mais, sem que
você se especialize para determinadas competências, sua carreira já está em
risco. Afinal, há tantos que até ganham bem e possuem muito tempo de serviço.
Mas, se houver uma reviravolta na carreira e forem demitidos de onde estão,
ficarão no “caminho da roça”. Pois não conseguirão permanecer no mercado em
funções correlatas, tampouco com a média salarial de antes. Agora pense,
continuaremos no próximo artigo.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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