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domingo, 6 de julho de 2014

QUAL É SUA COMPETÊNCIA?
Artigo de Jair Donato*

Nesta série sobre formação e competência, tema do artigo anterior, percebe-se que essas duas bases são importantes. O estudo acadêmico no mundo contemporâneo é o que não exclui o indivíduo do meio ambiente em que vive. Contudo, a habilidade prática e a geração de resultados é o que fala mais alto, principalmente para os que possuem formação acadêmica. Ainda é comum encontrar gente com mais de uma formação e sem trabalho. Mais que isso, sem perfil para desenvolver atividades na própria área de formação por falta de desenvolver competências. Nem sempre o profissional desenvolve carreira naquilo que é formado, mas certamente naquilo que sabe fazer, e apresenta resultados.

Sem dúvida, há empresas que não aceitam currículos sem determinada formação superior. Contudo, a virada está nas organizações cujas contratações ocorrem pela gestão de competências, desde o processo seletivo, às formas variadas de remuneração, treinamento e desenvolvimento, até a justificativa de manter pessoas como integrantes competitivos para a obtenção de resultados. Os processos seletivos dessas organizações ocorrem de tal forma que mesmo com formação acadêmica desejada, se o candidato não tiver no mínimo uma competência como em línguas, por exemplo, o currículo dele nem sai do processo de triagem, tamanha é a exigência do mercado pelo portfólio de competências individuais que atendam o perfil de competência organizacional.

Até no ambiente acadêmico está ocorrendo essa mudança. A quebra de paradigma atual no ensino está no redirecionamento do foco que passa do conteúdo conceitual apenas para a formação de competência no estudante. O novo educador precisa mudar a estratégia, a metodologia, sair do jeito antigo de ensinar para o novo molde de instigar, desenvolver. Ao atingir esse resultado se estabelece um encontro construtivo para o homem como cidadão, para o conhecimento e para a ciência.

As pessoas competentes crescem na carreira de maneira horizontalizada e não são afetadas facilmente. Mesmo quando as regras do jogo no mercado mudam e o ambiente se altera, elas permanecem competitivas, pois é ampla a visão de atuação. O que não ocorre com aqueles que sobem verticalmente, por ocasiões oportunistas, indicações ou simplesmente porque não havia outrem para a função. E nada os mantém ante quaisquer mudanças, devido visão e preparo limitados. Portanto uma visão em médio e longo prazo é importante na hora de desenvolver competências. Em que área você pode investir hoje que tem conexão com a próxima década?

Fatores como falta do estudo contínuo, pouca percepção, incapacidade de análise, entendimento distorcido, superficialidade e aprendizagem por decoreba não agregam nada a formação de competência. E muitos universitários possuem esse perfil, é o que aponta uma recente pesquisa feita no Distrito Federal, em que aponta relevante índice de analfabetismo funcional, que é a dificuldade de ler e entender livros e notícias do dia-a-dia, além da escrita. Problemas gerados na maior parte dos casos, por falha ainda no ensino básico.

Competência só pode ser obtida de uma única maneira, desenvolvendo-a. Não há outro jeito, ela não pode ser comprada, herdada, tampouco fingida. Ou você desenvolve, senão, nada feito. E desenvolver uma competência vai necessariamente exigir habilidade em saber fazer, conhecimento adequado e atitude necessária. No próximo artigo vamos saber se você sabe fritar um ovo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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