QUAL É SUA
COMPETÊNCIA?
Artigo de Jair Donato*
Nesta série sobre formação e competência, tema do artigo
anterior, percebe-se que essas duas bases são importantes. O estudo acadêmico no
mundo contemporâneo é o que não exclui o indivíduo do meio ambiente em que
vive. Contudo, a habilidade prática e a geração de resultados é o que fala mais
alto, principalmente para os que possuem formação acadêmica. Ainda é comum
encontrar gente com mais de uma formação e sem trabalho. Mais que isso, sem
perfil para desenvolver atividades na própria área de formação por falta de
desenvolver competências. Nem sempre o profissional desenvolve carreira naquilo
que é formado, mas certamente naquilo que sabe fazer, e apresenta resultados.
Sem
dúvida, há empresas que não aceitam currículos sem determinada formação
superior. Contudo, a virada está nas organizações cujas contratações ocorrem
pela gestão de competências, desde o processo seletivo, às formas variadas de
remuneração, treinamento e desenvolvimento, até a justificativa de manter
pessoas como integrantes competitivos para a obtenção de resultados. Os
processos seletivos dessas organizações ocorrem de tal forma que mesmo com
formação acadêmica desejada, se o candidato não tiver no mínimo uma competência
como em línguas, por exemplo, o currículo dele nem sai do processo de triagem,
tamanha é a exigência do mercado pelo portfólio de competências individuais que
atendam o perfil de competência organizacional.
Até no ambiente acadêmico está
ocorrendo essa mudança. A quebra de paradigma atual no ensino está no
redirecionamento do foco que passa do conteúdo conceitual apenas para a
formação de competência no estudante. O novo educador precisa mudar a estratégia,
a metodologia, sair do jeito antigo de ensinar para o novo molde de instigar,
desenvolver. Ao atingir esse resultado se estabelece um encontro construtivo
para o homem como cidadão, para o conhecimento e para a ciência.
As
pessoas competentes crescem na carreira de maneira horizontalizada e não são
afetadas facilmente. Mesmo quando as regras do jogo no mercado mudam e o
ambiente se altera, elas permanecem competitivas, pois é ampla a visão de
atuação. O que não ocorre com aqueles que sobem verticalmente, por ocasiões
oportunistas, indicações ou simplesmente porque não havia outrem para a função.
E nada os mantém ante quaisquer mudanças, devido visão e preparo limitados.
Portanto uma visão em médio e longo prazo é importante na hora de desenvolver
competências. Em que área você pode investir hoje que tem conexão com a próxima
década?
Fatores como falta do estudo
contínuo, pouca percepção, incapacidade de análise, entendimento distorcido,
superficialidade e aprendizagem por decoreba não agregam nada a formação de
competência. E muitos universitários possuem esse perfil, é o que aponta uma
recente pesquisa feita no Distrito Federal, em que aponta relevante índice de
analfabetismo funcional, que é a dificuldade de ler e entender livros e
notícias do dia-a-dia, além da escrita. Problemas gerados na maior parte dos
casos, por falha ainda no ensino básico.
Competência só pode ser obtida de
uma única maneira, desenvolvendo-a. Não há outro jeito, ela não pode ser
comprada, herdada, tampouco fingida. Ou você desenvolve, senão, nada feito. E
desenvolver uma competência vai necessariamente exigir habilidade em saber
fazer, conhecimento adequado e atitude necessária. No próximo artigo vamos
saber se você sabe fritar um ovo.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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