VOCÊ É DETALHISTA OU OBJETIVO?
Artigo de Jair
Donato*
Vivemos no mundo da praticidade descontínua, onde a excelência está na
objetividade. Um dos maiores entraves no processo de comunicação intrapessoal e
interpessoal está na confusão gerada entre o detalhismo e ser objetivo. É comum
as pessoas reclamarem pelo fato de não serem entendidas pelos pares ou
subordinados e, principalmente pela liderança imediata, mesmo tenho explicado
tudo detalhadamente. Há pessoas que gostam de expor o porquê de tudo, um histórico nos mínimos detalhes, mas se
frustram ao ver que não foram compreendidas. Há ainda aquele que sequer entende
o que ele mesmo expressa, puxa assunto sem ao menos ter em mente o que deseja
saber. Outros que retalham um conceito ao ponto de serem vistos como chatos. O
detalhe é uma arte que nem todos sabem engendra-lo, se e empregado
inadequadamente, só causa repúdio.
Ser objetivo não é o mesmo que ser detalhista, nem sempre esmiuçar tudo
e se tornar um meticuloso explicativo é o melhor caminho. Embora toda
comunicação objetiva necessite de orientação, nem sempre algo detalhado é
necessariamente algo objetivo. Falar ou explicar demais compete mais a quem é
se justifica como autodefesa, com tendência ao perfeccionismo, do que
comportamento objetivo. O detalhista é o típico perfil de querer explicar tudo,
ou se explicar, querer dar satisfações por tantas vezes que chega até a
desenhar.
Ao ser interrogado, a pessoa deve responder apenas o que for
concernente ao teor da pergunta, não ao que ela acha que deve ser explicado.
Por vezes, um assunto que deveria ser uma orientação se torna confuso pelo
excesso de informações. Há quem ao ser solicitado que se identifique através do
nome, decide contar toda a história da vida, a causa de ter recebido tal nome, o
motivo da escolha dos pais, enfim, expõe todo um excedente não foi solicitado. Isso
provoca impactos negativos seja dentro da organização ou no convívio social,
causa perda de tempo e ineficácia nos resultados. O que pode ser realizado em
pouco tempo, se planejado, orientado e executado com clareza, poderá levar mais
que o dobro de tempo se não for específico, e constituído de processos prolixos
e entediantes.
Por vezes, é importante que um relatório esteja contido de dados
detalhados. Contudo o resultado é necessário que seja objetivo, claro. Na maior
parte da comunicação do dia a dia necessita-se de objetividade. Por isso muita
gente estabelece péssimos canais de comunicação por falta de uma transmissão
objetiva, o que é uma habilidade necessária na formação da competência em
comunicação.
Há quem numa entrevista em face do detalhe só enrola e toma tempo do
interlocutor. Uma reunião de trabalho com muitos slides e pautas desordenadas
mais atrapalha e desmotiva do que agrega interesse. O processo de entrevista
seja para conseguir um emprego, uma promoção ou na prospecção de um cliente se
torna eficaz quanto mais simples e objetiva se tornar. A estratégia é mais
objetiva do que o detalhista.
Há uma estorinha de um homem que era tão objetivo que um dia alguém perguntou
a ele se tinha pai. Ao que ele respondeu: “E nem mãe”. Pronto, encerrou a
conversa. Possivelmente o interlocutor desse homem percebeu o quanto ele era
certeiro e não perdia tempo em dar explicações. No mundo competitivo que
vivemos, essa é uma postura ideal, o que não exclui a emoção e a consideração
humana em quaisquer que sejam os relacionamentos, desde uma interação afetiva
até uma transação comercial. A assertividade é uma habilidade das pessoas
objetivas, sem serem agressivas. É tudo uma questão de foco.
*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de
pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade
de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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