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quinta-feira, 3 de julho de 2014

ESPIRITUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES
Artigo de Jair Donato* 

Espiritualidade é uma condição que está presente na capacidade de pensar, sentir e agir do homem, cuja base consiste em algo maior do que os aspectos físicos e materiais. Significa a busca da finalidade do ser humano na família, no trabalho, na sociedade, enfim, o equilíbrio nas diversas dimensões da vida. Reflexivamente, o jesuíta e paleontologista francês Teilhard de Chardin, disse que: “Não somos seres humanos tendo experiências espirituais. Antes somos seres espirituais tendo experiências humanas”.

São muitas empresas na atualidade que desenvolvem programas de valorização dos colaboradores e parceiros visando melhor qualidade de vida no trabalho, acolhimento, tratamento com respeito e dignidade às pessoas.  Estes são quesitos de uma organização cujos valores se destacam pela ótica da espiritualidade.

Essa é uma via que também se desenvolve pela educação contínua e deve estar contida no DNA da organização, ou seja, na cultura organizacional. Uma empresa que preza a via da espiritualidade investe no equilíbrio das relações interpessoais com os clientes da mesma maneira que valoriza os colaboradores internos, prima pelo respeito às diferenças humanas e prioriza valores culturais nobres, éticos e altruístas.

Contudo, há uma ressalva. Toda essa conexão demanda sinceridade e transparência, pois no mundo dos negócios grande parte das ações implementadas pelas organizações nesse contexto ainda são maquiadas, puro engodo. Ações marqueteiras que só visam apresentar uma imagem social daquilo que não é verdade ocorre com frequência, algo que ao analisar o clima de lugares assim, se torna perceptível. Sensibilidade, intuição, altruísmo, percepção, uso das inteligências em congruência, equilíbrio entre razão e emoção, afetividade, trabalho em equipe, flexibilidade, resiliência, liderança positiva, são indicadores de uma consciência espiritualista.

Um líder espiritualista deixa transformações na sociedade, não apenas nos templos religiosos ou na vida dos que professam doutrinas específicas. Ele pode atuar na política sem corromper-se, pode professar um credo sem criticar os demais, pode prosperar no mundo dos negócios sem tornar-se materialista, tampouco escravizar os demais, e pode ser útil sem pedir nada em troca. A liderança servidora, o atendimento ao cliente com zelo e atenção, a dedicação voluntariosa ao próximo são aspectos praticáveis da espiritualidade.

Espera-se dos gestores organizacionais mais coerência ao lidar com as diferenças e os talentos humanos no desempenho profissional. Desenvolver pessoas na carreira e na vida faz parte da missão de um gestor, através do burilamento das características individuais de cada um. Acreditar e dar foco na essência humana pode ser o caminho.

O líder do budismo tibetano, Dalai Lama, assim expressa a visão que possui no mundo contemporâneo: “É por isso que estou cada vez mais convencido de que chegou a hora de encontrar uma maneira de pensar sobre a espiritualidade e ética para além da religião”. Essa maneira nas empresas possivelmente se tornará realidade mais pela consciência moral do que só pelo lucro financeiro. Afinal, valores da espiritualidade estão mesmo acima dos aspectos físicos e materiais.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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