MUDAR DÓI,
DEFORMA
Artigo de Jair Donato*
Não é para qualquer um. Provocar mudanças
principalmente em si mesmo é coisa de gente grande, a maioria não se banca.
Acontece que toda transformação gera deformação. Ou seja, para você mudar um
hábito, uma crença, um jeito repetitivo de agir, será preciso antes destruir,
eliminar aquele que já possui. Esse é
um processo doloroso, requer esforço, determinação, é pra gente forte,
possuidora de garra.
Quando um prédio passa por reformas, para que
tudo fique esteticamente agradável e belo é necessário antes lixar as paredes,
até derrubar algumas ou muda-las de lugar. Será preciso quebrar pisos, acumular
destroços e lidar com muita poeira. No entanto, após todo esse processo
aparentemente desconcertante e incômodo eis que a mudança como resultado esperado
vale apena. Aquilo que não se transforma nunca se deforma do aspecto velho,
naturalmente fica ultrapassado, desinteressante, inflexível, rígido e pouco
atrativo.
A verdade é que para você se libertar de velhos
hábitos exige-se esforço contínuo, será preciso alta performance e muito
preparo. Pode ser que uma parte de você fique indignada com sua decisão de
fazer diferente. Pois essa parte do seu eu deve se encontrar bastante
confortável nas antigas maneiras de agir e não deseja ver ou fazer algo
diferente. É daí que surge a resistência.
Há quem prefere fazer qualquer outra coisa,
menos mudar. Procura a mudança só no campo da fantasia, do desejo ou da ilusão,
sendo que ela se efetiva apenas no campo da coragem e da prática. Afinal, são
os momentos desconfortáveis como a crise e a desestabilidade que por vezes tiram
você da mesmice. Contudo, serve para ativar a criatividade em situações que a
zona de conforto nunca lhe proporcionará.
Todo processo de mudança segue três etapas
indispensáveis. A primeira é o descongelamento, seguida da mudança, e por fim
estabelece-se o recongelamento. Um velho hábito é preciso ser exposto à luz da
coragem e do atrito para romper o gelo incrustrado. Daí é que surge a nova
maneira, o hábito novo, que por fim sedimentam-se com a produção de novos
resultados, outros ares. No atual mundo da descontinuidade em que vivemos, faz-se
necessário mudar os hábitos, as estratégias e os processos cada vez mais
rápidos. Portanto, uma pessoa flexível e resiliente será a mais bem sucedida no
processo da mudança, seja ela externa ou dentro de si mesma.
Quando
a mudança se reflete como ameaça para os fracos é porque talvez aí prevaleça a
resistência. No entanto, mudar é para os fortes, e isso pode ser a única chance
para a evolução. Pois o comodismo envenena a vida. O necessário é que haja
muita perseverança para se livrar dele. Esqueça a dor e veja a recompensa, o
caminho é ousar, mudar, fazer diferente.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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