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sexta-feira, 18 de julho de 2014

MUDAR DÓI, DEFORMA
Artigo de Jair Donato*

Não é para qualquer um. Provocar mudanças principalmente em si mesmo é coisa de gente grande, a maioria não se banca. Acontece que toda transformação gera deformação. Ou seja, para você mudar um hábito, uma crença, um jeito repetitivo de agir, será preciso antes destruir, eliminar aquele que já possui.   Esse é um processo doloroso, requer esforço, determinação, é pra gente forte, possuidora de garra.

Quando um prédio passa por reformas, para que tudo fique esteticamente agradável e belo é necessário antes lixar as paredes, até derrubar algumas ou muda-las de lugar. Será preciso quebrar pisos, acumular destroços e lidar com muita poeira. No entanto, após todo esse processo aparentemente desconcertante e incômodo eis que a mudança como resultado esperado vale apena. Aquilo que não se transforma nunca se deforma do aspecto velho, naturalmente fica ultrapassado, desinteressante, inflexível, rígido e pouco atrativo.

A verdade é que para você se libertar de velhos hábitos exige-se esforço contínuo, será preciso alta performance e muito preparo. Pode ser que uma parte de você fique indignada com sua decisão de fazer diferente. Pois essa parte do seu eu deve se encontrar bastante confortável nas antigas maneiras de agir e não deseja ver ou fazer algo diferente. É daí que surge a resistência.

Há quem prefere fazer qualquer outra coisa, menos mudar. Procura a mudança só no campo da fantasia, do desejo ou da ilusão, sendo que ela se efetiva apenas no campo da coragem e da prática. Afinal, são os momentos desconfortáveis como a crise e a desestabilidade que por vezes tiram você da mesmice. Contudo, serve para ativar a criatividade em situações que a zona de conforto nunca lhe proporcionará.

Todo processo de mudança segue três etapas indispensáveis. A primeira é o descongelamento, seguida da mudança, e por fim estabelece-se o recongelamento. Um velho hábito é preciso ser exposto à luz da coragem e do atrito para romper o gelo incrustrado. Daí é que surge a nova maneira, o hábito novo, que por fim sedimentam-se com a produção de novos resultados, outros ares. No atual mundo da descontinuidade em que vivemos, faz-se necessário mudar os hábitos, as estratégias e os processos cada vez mais rápidos. Portanto, uma pessoa flexível e resiliente será a mais bem sucedida no processo da mudança, seja ela externa ou dentro de si mesma.

Quando a mudança se reflete como ameaça para os fracos é porque talvez aí prevaleça a resistência. No entanto, mudar é para os fortes, e isso pode ser a única chance para a evolução. Pois o comodismo envenena a vida. O necessário é que haja muita perseverança para se livrar dele. Esqueça a dor e veja a recompensa, o caminho é ousar, mudar, fazer diferente.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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